quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Campo Santo - Novembro, um mês especial...

O mês de Novembro é super especial no México. Em meados de Outubro, vêem-se caveiras por todos os lados, nas montras, nos carros, nos postos de venda ambulante... elas decoram ruas, avenidas e cidades...
Há pastéis com forma de caveira, muitos tamales (que são uma espécie de rissóis com carne de frango, ou de porco, ou de verduras); há bolachas doces com o desenho de mortos...
Cada família, com muito esmero, prepara um altar de mortos, adornado de flores amarelas próprias desta época, no qual coloca uma ou outra imagem dos seus entes queridos já falecidos assim como uma ou duas imagens de santos.
No altar, são colocadas varias peças de comidas que são oferecidas, d
urante a primeira semana de Novembro, às famílias que as visitam. Nas escolas há concursos de altares com as suas respectivas oferendas de mortos, as câmaras municipais organizam exposições de altares... enfim, a morte é celebrada como vida... ou como me dizia um miúdo: "Padre, aqui no México a morte não nos assusta porque nos rimos de ela e até a comemos nas bolachas e pastéis!"
Os cemitérios são cuidadosamente limpos e asseados para a missa. Uma vez terminada a missa, na qual se lê ou melhor se proclama gloriosamente o nome dos falecidos, há um pequeno convívio, que é fruto da solidariedade cristã.

«
Disse-lhe Jesus: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisto?" Ela respondeu-lhe: "Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo".» Jo 10,25-27

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

No passado dia 13 de Outubro...

No passado dia 13 de Outubro, enquanto Portugal inteiro se alegrava com a inauguração da Basílica da Santíssima Trindade, na Igreja de San António, às cinco da tarde cerca de 150 jovens viviam a sua confirmação.
Foi uma celebração com um forte toque indígena com danças e cantos tenek. Festa do Espírito Santo!
Claro que houve uma menção aos acontecimentos de Fátima, e ainda que fisicamente nos separem 10000 km, a fé faz a comum união.

Dança do Veado... tradição dos Yaquis...

No encontro de Hermosillo, no primeiro dia, tivemos a agradável surpresa de ser recebido pelo presidente da câmara municipal. Católico praticante, felicitou-nos a todos os participantes pelo nosso trabalho evangélico nos meios de comunicação e, depois da santa missa, nos ofereceu um jantar de boas-vindas no jardim municipal.
Durante este repasto, houve espaço para actuação de músicos locais e um agrupamento de cultura que nos regalou a Dança do Veado. Eh, atenção, claro que não é um brasileirismo... no estado de Sonora, a capital deste imenso estado, cuja extensão territorial é ocupado pelo grande deserto do Arizona, há uma dança cultual, própria do tempo de funeral...
Passados 40 dias após a sepultura do defunto, há a tradição da família deste chamar os dançantes para através de esta dança lhe darem o descanso merecido à alma do seu ente querido.São três dançantes: um disfarçados de veado, e dois mais ambos usando vestes de caçadores... nos últimos momentos de esta dança, um dos dançantes, deixa a sua roupa de caçador e assume a personalidade de cão, o qual irá perseguir o veado, matando-o... com a morte do veado, animal que personifica o sujeito falecido, a alma deste entra finalmente no paraíso, depois de durante 40 dias ter vagueado pelo deserto, num processo de purificação para a vida eterna...
É um bonita e harmónica dança com uma música cheia de melodia... ir a Sonora e não assistir à "Dança do Veado" é como ir a Roma...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ecos de Hermosillo...

Vindos de 30 dioceses, membros das Comissões Diocesanas da Pastoral para a Comunicação Social, durante uma semana, reflexionámos sobre a importância e o papel fundamental que as novas tecnologias da informação operam e realizam no nosso mundo.
Uma notícias altera um país, muda a geografia, faz com que milhões de pessoas ganhem ou percam os seus empregos... vivemos cada vez mais numa aldeia fortemente globalizada, altamente conectada...
O caso recente das cheias que afectam o sul do México, região do Tabasco, Campeche e Chiapas... é disto é caso exemplar. Em menos de umas quantas horas, todo o mundo presenciava via TV's ou Internet, a destruição provocada pelas fortes chuvas e, todos, desde o mais remoto ponto da Ásia à hi-tech Europa, vimos esta inclemência da natureza...
Tenho que os jornais e Tv's, rádios e outros meios não tenham feito sentir a verdadeira onda gigante de solidariedade que neste momento está atravessando todo este grande país de nome: México....
Com o lema: "Tabasco, te necessita" voluntários, milhões de litros de agua doados, roupa, e demais materiais e bens de primeira necessidade têm sido doados... Não há esquina nem semáforo que não haja alguiem com uma pequena ou grande caixa pedindo ajuda para as vitimas destas inundações... verdadeiramente impressiona o sentir de solidariedade deste povo...

«No que fizerdes, trabalhai de todo o coração, como quem o faz para o Senhor e não para os homens, sabendo que é do Senhor que recebereis a herança como recompensa. O Senhor, a quem servis, é Cristo. É que, quem cometer uma injustiça receberá em paga a injustiça que cometeu, e não há acepção de pessoas.» Col. 3, 23-25

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Encontro de Pastoral da Comunicação Social...

Durante a semana 15 a 19 de Outubro, estive em Hermosillo, estado de Sonora, no noroeste do México, para o XVII Encontro Nacional de Responsáveis da Pastoral da Comunicação Social.
Como membro da comissão diocesana de Pastoral da Comunicação Social de Cd. Valles, tive o prazer de participar neste encontro. Estavam cerca de 100 participantes de todas as dioceses do México.
Hermosillo é uma cidade muito agradável. Foi recebido com muita simpatia (do dia da minha chegada até aos últimos minutos neste cidade nunca me senti estrangeiro; a comissão diocesano apadrinhou cada participante com uma família...), assim como cada um dos cerca de 100 participantes. Éramos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, vindo de diferentes dioceses. E todos nos sentimos em casa fruto do calor humano e cristão das gentes de esta maravilhosa terra.
O Arcebispo de Hermosillo, D. Ulisses, no seu discurso de bem-vinda nos realçava o carácter hospitaleiro e trabalhador dos cristãos sonorenses. De facto, fomos recebidos com o coração e, como dizia alguém, "vivemos uma semana de encontro nacional num hotel, mas nunca pareceu hotel, mas sim uma casa familiar numa encontro de irmãos!"

«Ele respondeu: "Quem são minha mãe e meus irmãos?" E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: "Aí estão minha mãe e meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe".» Mc. 3, 33-35

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Numa tarde soalheira, como se vive deste lado do mundo...

Quando em Portugal o relógio dá as 12.00 horas da noite, aqui no México são as 6.00 horas da tarde e faltam apenas duas horas para o famoso regresso a casa ou como dizem os ingleses: "rush hour"! Ou seja, a tal hora de ponta!
No entanto, como pode ver na imagem, na grande Cidade do México, de 24 milhões de pessoas, cada hora e cada dia não se nota qual é diferença entre hora de ponta e hora de "desponta"!
As filas intermináveis de carros, o ruido ensurdecedor, enfim, a tão famosa poluição sonora e ambiental. Porém, é engraçado ver e observar a reacção dos condutores: não há irritação, não há nervosismo nem se perde a cabeça como acontece no nosso jardim à beira mar plantado!!!
Na reunião que tivemos os espiritanos na Cidade do México, numa das tardes, ausentei-me para visitar um padre comboniano que já não o via desde 2002, quando terminei o meu estágio missionário em Moçambique. No caminho de regresso ao Centro de Estudos e de Ajuda à Igreja Indígena (CENAMI), tomei um táxi. Depois de passar em algumas ruas de esta grande Cidade, subitamente o táxi onde eu viajava foi tocado pelo parceiro do lado. De imediato o condutor travou, e cá pensei eu para os meus botões: "vai haver discussão e vão passar das palavras às vias de facto!!! É cá um verdadeiro filme!!!"
Para meu espanto, uma breve troca de palavras e um pedido de desculpas solucionou o choque. A amolgadura estava solucionada com três pitadas de palavras. Fiquei dentro do táxi, cogitando e pensando: ora vês, a vida até é simples! Toma e embrulha!!!

«O encanto de um homem é a bondade; mais vale o pobre que o mentiroso.» Pbr. 19,22

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Andar a cavalo... na vida de missionário...

Depois das recentes chuvas, fruto das tormentas tropicais que têm assolado este região mexicana da serra madre oriental, vi-me na necessidade de voltar aos velhos tempos em que os padres percorriam esta terra a cavalo.
Algumas comunidades ficaram com os caminhos cortados, outras intransitáveis... no meio de tudo isto, o único meio de transporte rápido, seguro e cómodo ainda é o cavalo.
Felizmente, o México é uma terra de cavalos, de cavaleiros, de gente que nasce na sela! Assim, se diz por aqui, por que desde os 4 anos de idade que os rapazes começam a subir e a montar os cavalos...
Então, não há outro remédio do que aprender esta arte de andar a cavalo para não ser levado pelo cavalo mas levar o cavalo a que me leve!!!
Tenho visitado as comunidades cristãs ultimamente a cavalo e tem sido uma experiência muito interessante. Desde aprender a pôr a sela, como aprender a dizer ao cavalo quem manda, como descer do cavalo e aprender a pôr às costas a mochilas com tudo o que é necessário para a celebração da missa e assim por visitar cada comunidade e os seus doentes ou acamados...
Também os caminhos percorridos são outros e de uma maior beleza e encanto. Há lugares que por primeira vez passo e descubro uma outra maneira de olhar para a pequena e sempre airosa paroquia de San António!

«De facto, embora livre em relação a todos, fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número. Fiz-me judeu com os judeus, para ganhar os judeus; com os que estão sujeitos à Lei, comportei-me como se estivesse sujeito à Lei - embora não estivesse sob a Lei - para ganhar os que estão sujeitos à Lei; com os que vivem sem a Lei, fiz-me como um sem Lei - embora eu não viva sem a lei de Deus porque tenho a lei de Cristo - para ganhar os que vivem sem a Lei. Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante». 1ªCor. 9,19-23

"Cabalgata huasteca"...

No passado dia 29 de Setembro, na paroquia vizinha de Tancanhuitz, realizou-se uma iniciativa criativa para angariar fundos para a remodelação da Igreja paroquial, que é monumento arquitectónico e nacional de grande valor.
Convidado pelo pároco e amigo, Pe. Juan Magdalena, fui participar na "Cabalgata Huasteca 2007", em honra de San Miguel Arcangel.
Para poder cavalgar como pároco convidado, tive de me socorrer no Sr. Carlos Sanchez, paroquiano de San António, que se ofereceu para me acompanhar...
Claro que tive que ir vestido a rigor: botas, calças de ganga, 'sombrero' e, com certeza, chaparreras, isto é, a espécie de protecção para as calças... todo um vaqueiro!!!
Foram mais de 200 cavaleiros, gentes de Tancanhuitz, de San António, de Tanquián, de Tampamolóm, enfim, a comunidade cristã da huasteca potosina reuniu-se em festa para celebrar San Miguel, como também em solidariedade comunitária em favor da Igreja paroquial.
Este dia amanheceu chuvoso. Na hora da cavalgada, "San Pedro" teve misericórdia dos cavaleiros e, certamente, reconheceu que a intenção desta festa huasteca!
Na tarde, houve a festa mexicana: charreada, espécie de pega de touros, mas sem pega, mas com montada do touro!!!...
Foi uma bonita festa mexicana, uma maneira comunitária e criativa de angariar fundos para a remodelação da Casa de Deus.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Foi preciso esperar...

Foi preciso esperar 4 anos para visitar a Cidade do México sem os normais efeitos da contaminação, do famoso "smog", sem as nuvens negras ou cinzentas de tanta poluição... enfim, verdadeiramente tive o prazer de apreciar esta enorme cidade num dia de sol maravilhoso.
Vista da açoteia da Casa de Formação, tirada na terça-feira, 02/10/2007.

«Fizeste o céu e a terra e todas as maravilhas que se acham debaixo dos céus. És o Senhor universal e ninguém, Senhor, te pode resistir.» Est. 7, 3-4

Jovens em formação espiritana

Na nossa casa de formação, Casa Libermann, recém inaugurada, que se situa na capital deste país, há neste momento há três jovens; dois com os primeiros votos, Gabriel e Baltazar, e um jovem em discernimento vocacional, Juan Manuel.

«Exorta igualmente os jovens a serem moderados,
apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós.» Tit. 2, 6-8