terça-feira, 15 de abril de 2014

Livro de Cabeceira e não só...

Estou em crer que seguramente Tomás Halik não pensaria que o seu livro ajudaria nas meditações de um retiro ou para uma re-leitura da experiência missionária. Ainda que ele afirma que escreveu este livro durante a sua estadia num mosteiro...
No entanto, ao ler este livro vieram-me à cabeça muitas perguntas, muitas interrogações... Nunca antes tinha olhado para o episódio de Zaqueu da forma como autor o apresenta e comenta. Penso que se o tivesse lido, antes de assumir alguns trabalhos, os tinha visto e compreendido de uma outra maneira e, talvez, quem sabe, me tivesse ajudado mais...

«Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele devia passar por ali». Lc 19, 3-4

Domingo de Ramos no Mosteiro

Mesa de serviço para a missa de Domingo de Ramos.
A celebração do Domingo de Ramos começou ás 12 hrs em ponto com a bênção dos ramos na esplanada do Hotel Sheraton El Paular.
Convém referir que esta cadeia internacional de hotéis têm, aqui no Mosteiro, um espaço alugado à comunidade beneditina e que presta o seu serviço aos turistas que desejam visitar este lugar. Pois, este mosteiro beneditino está inserido no que é chamada a estância turística de inverno da comunidade de Madrid (região de Madrid). Há também um lugar para a prática de ski, de caminhadas, de acampamento, de turismo rural.
O mosteiro, integrado nesta zona turística, com o hotel Sheraton El Paular, ajuda a que haja uma oferta mais amplia e mais próxima do religioso.
Interior da Igreja Conventual
com o retábulo único e original.
Após a bênção dos Ramos, iniciou-se a procissão deste dia. Foram cerca de 45 minutos de peregrinar na área envolvente ao Mosteiro. Entrou-se pelo claustro e finalizou-se esta procissão na Igreja conventual, onde se celebrou a Missa de Domingo de Ramos.
Esta celebrações foi animada pelo coro "Salve Mater", que é uma espécie de amigos dos Canto Gregoriano e amigos deste Mosteiro. Grande parte do cantos foram entoados em latim...
Presidiu o Prior, Pe. Miguel, beneditino. Concelebrámos mais três sacerdote comigo: o Pe. Joaquim, também ele beneditino, o Pe,  Graciano, que é diocesano de Madrid e que veio também ele realizar uma semana de silêncio; o Pe. Rodrigo que é diocesano de Ciudad Real e que está vivendo nesta comunidade beneditina, uma vez que se encontra em ano sabático.
Entrada ao Mosteiro
pelo Hotel.
Neste mosteiro vivem actualmente 7 monges beneditinos: para além dos dois sacerdotes beneditinos (o Prior mais o Pe. Joaquim), estão os dois monges Martin e Eulógio, dois  postulantes, José (que é o monge hospedeiro) e um que não sei o seu nome e um aspirante a monge, do qual também desconheço o seu nome.
Segundo rezam os anais da história deste mosteiro, foi fundado em 1390, quando se deu início à sua construção. Depois de 600 anos de história, foi "tirado" à Ordem Cartuxa (uma ordem monástica de vida contemplativa fundada por São Bruno de Colónia) pela compra de particular ao abrigo das famosas leis da desamortização de Mendizábal (período liberal, 1823).
Claustro com São Bento
ao fundo à direita.
Este mosteiro passou por uma fase negra. Neste época de administração de particulares, pois este tinham comprado o mosteiro ao Estado, uma vez que era um bem adquirido pela nação e que devia render. Se destruiu muitas peças valiosas, muitos produtos agrícolas foram oferecidos e desbaratados. Tinha uma enorme colecção de 54 quadros a óleo do famoso pintor Vicente Carducho (podem ver-las clicando aqui) que se perderam, que foram vendidos, entregues a museus. Enfim, como diz o dito, água o deu, água o levou!
Felizmente, graças ao esforço do Museu del Prado e várias fundações, quase 100 anos depois, regressaram aos claustros deste mosteiro. Actualmente, se podem apreciar, contemplar esta série fabulosa que nos conta a vida de São Bruno e da ordem por ele fundada no século XI.
Além do edifício monástico, este mosteiro possui uma grande porção de terreno cultivável. Segundo reza a história, os monges cartuxos trouxeram terra negra, própria para agricultura para os terrenos deste mosteiro.
A porta de acesso ao exterior.
Ainda hoje há uma enorme extensão agrícola, um grandíssimo jardim com plantas medicinas, que é fruto da colaboração de uma fundação com a comunidade beneditina aqui instalada. De notar que há um interesse por continuar a tradição "ora et labora" e buscar novas maneiras de dar uso a esta sabedoria monacal.
São Bento, quando fundou a sua ordem, buscava evangelizar a Europa pela dinâmica das 'duas mãos': com uma mão rezas e com a outra trabalhas. As actuais grandes cidades e os grandes centros do saber devem a este génio que foi São Bento o que hoje são.
A própria Europa desenvolveu-se devido aos numerosos mosteiros que se foram construindo um pouco por todos os pais. Pois na medida em que iam crescendo, atraiam e fixavam as populações. São Bruno, tomando a regra beneditina, seguiu este mesmo caminho, mas com uma variante no modo de viver: a vida monacal solitária.

«As multidões que tinham chegado para a Festa, ao ouvirem que Jesus vinha a Jerusalém, pegaram em ramos de palmeiras e saíram-lhe ao encontro, clamando: "Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!"». Jo 12,12-13

domingo, 13 de abril de 2014

Bota fè - The Movie

O site Aleteia (www.aleteia.org) publicará brevemente um filme sobre a visita do Papa Francisco ao Brasil no verão passado, no marco da Jornadas Mundiais da Juventude. Como associado desta rede social católico, com gosto partilho convosco o vídeo Bota Fé. Aqui fica feita a partilha. Vejam, divulguem, partilhem!
Enfim, nunca é demais expressar-lo: vamos alargar a rede e em rede!
Espero e seja do vosso agrado. Feliz Páscoa!


Retiro de Semana Santa: Rascafria

Real Monasterio de Santa Maria del Paular, Rascafria
Depois de várias semanas santas cheias de trabalho, com actividades semanais e bonitas celebrações ao vivo e com multidões, decidi que a semana santa deste ano seria de uma mudança total: silêncio e oração interiores. Como que buscava um outro olhar para o mistério da Cruz e Ressurreição
Para poder realizar este projecto, busquei na internet os mosteiros beneditinos. Queria assim como hospede, - os irmãos queridos e amados por São Bento -, viver a Semana Santa de acordo à liturgia monacal e com a Lectio divina.
Para que a distância entre o sonhar e o viver não fosse muito comprida, escolhi o mosteiro beneditino de Rascafria, que situado na serra de Guadarrama, a uns 100 km ao norte da cidade de Madrid.
Foi recebido pelo monge hospedeiro de origem cabo-verdiana. Seu nome José Benvindo, natural de Pedra-Badejo, Santiago, Cabo-Verde.
Tive a felicidade, - na verdade Deus tem sempre muitas surpresas! -, de fazer o caminho de Madrid até Rascafria com o casal Delfino e Carmen, uns amigos do Pe. Victor Cabezas, espiritano espanhol, e que também vieram a este mosteiro beneditino viver um retiro de silêncio antes da semana santa. E, vai de aí, a feliz boleia que me ofereceram.
Acesso ao Mosteiro
Depois de uma hora de viagem, chegámos a Rascafria. Eram quase as duas da tarde, hora de Oração Sexta e da comida. Deixando as nossas pertenças na mala do carro, fomos, seguindo o nosso monge-guia, até à capela da comunidade onde rezámos a Hora Sexta do Breviário.
Após este momento de canto e oração, no silêncio próprio deste lugar, passámos ao refeitório. Em silêncio, degustámos o parco e sóbrio almoço preparado.
Minutos mais tardes, o monge José mostrou-nos os quartos que nos correspondiam. E, em jeito de despedida à boa maneira beneditina, nos exortou: "sois nossos hospedes! Mas, aqui, todos somos hospedes e peregrinos do Senhor! Boa estância e desfrutem"! E sumiu-se caminhando pelo estreito corredor da zona dos quartos...

«Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.» Mt 6,6-8

quarta-feira, 26 de março de 2014

O sacerdote sirva a sua comunidade com amor, senão não serve...

Nesta quarta-feira foi com frio que um enorme calor humano recebeu o Papa Francisco para a audiência geral. Dezenas de milhares de peregrinos saudaram e ouviram o Santo Padre. Hoje a catequese foi sobre o Sacramento da Ordem: A Ordem compreendida nos três graus de episcopado, presbiterado e diaconado, é o Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos Apóstolos de apascentar as suas ovelhas, no poder do seu Espírito e segundo o seu coração.”
“O sacerdote deve apascentar com amor, se não o faz com amor não serve.”
O Santo Padre apresentou três aspetos importantes sobre o Sacramento da Ordem:
“Um primeiro aspeto. Aqueles que são ordenados são postos à cabeça da comunidade. À cabeça, para Jesus, significa pôr a própria autoridade ao serviço, como Ele próprio mostrou e ensinou aos discípulos com estas palavras: ‘Vós sabeis que os governantes das nações dominam e os chefes oprimem-nas. Entre vós não será assim; mas quem quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor e quem quer ser o primeiro entre vós será escravo. Como o Filho do Homem que não veio para ser servido mas para servir e dar a própria vida por resgate de muitos.”
A Ordem – disse o Papa – torna capaz de apascentar o rebanho de Jesus, com a força do seu Espírito e segundo o seu coração. Na verdade, o ministro ordenado é posto à cabeça da comunidade, mas devemos entender este ato de presidir como serviço: «Quem no meio de vós quiser ser o primeiro – ensinou Jesus – seja vosso servo».
“Uma outra caraterística que deriva sempre da questão sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja.”
Em virtude da Ordem – continuou o Santo Padre – o ministro dedica-se inteiramente à própria comunidade e ama-a com todo o seu coração: é ela a sua família, que deve amar com amor apaixonado. Isto, porém, sem ceder à tentação de a considerar como sua propriedade.
“Um último aspeto, o apóstolo Paulo recomenda ao seu discípulo Timóteo que não se canse de reavivar o dom que está nele, recebido pela imposição das mãos.”
O Papa Francisco reforçou a ideia de que o ministro ordenado precisa de contínua conversão e assídua entrega à misericórdia de Deus; e esta entrega é a sua força e também um válido exemplo que pode oferecer aos irmãos da sua comunidade.
No final da catequese o Papa Francisco pediu ao Senhor que nunca faltem nas nossas comunidades pastores autênticos e exortou os jovens a discernirem no seu coração o chamamento de Deus para uma vida de serviço total aos outros como sacerdotes.
O Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:
“Queridos amigos de língua portuguesa, que hoje tomais parte neste Encontro com o Sucessor de Pedro: Obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! A todos saúdo, especialmente ao grupo de Brasília, encorajando-vos a apostar em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!”
O Papa Francisco a todos deu a sua benção!

Extraído de http://pt.radiovaticana.va/news/2014/03/26/o_sacerdote_sirva_a_sua_comunidade_com_amor,_sen%C3%A3o_n%C3%A3o_serve_%E2%80%93_o_papa/por-78495

terça-feira, 25 de março de 2014

Geração à Rasca ou Rasca de Geração!?

Acabo de ler este artigo do Mia Couto, escritor moçambicano. Sempre me fascina a sua escrita, por isso me detive a ler estas suas letras. Faz un retrato apurado da nossa realidade.
Aqui o partilho. Ajuda a pensar...
«Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
»

Extraido de www.geledes.org.br/em-debate/colunistas/23808-um-dia-isto-tinha-que-acontecer-por-mia-couto

sábado, 22 de março de 2014

As 12 frases de Francisco...

Para qué mais palavras... estas 12 frases falam por si...
Ainda que haja uma certa fascinação com a figura do nosso Papa, admito que sua espiritualidade e sabedoria transpira na sua pregação, como dizia São Francisco: "Prega o Evangelho aos teus irmãos, também com as tuas palavras!" E, felizmente, notam-se em cada frase sua e atitude.

1). “O mundo é feito de estradas que nos aproximam e distanciam, mas o importante é que nos levem para o Bem.”

2). “Cada um de nós tem uma ideia do Bem e do Mal e deve fazer a escolha de seguir o Bem e combater o Mal como o concebe. Isto bastaria para melhorar o mundo.”

3).“Os chefes da Igreja muitas vezes foram narcísicos e excitados pelos seus cortesãos. A corte é a lepra do papado.”

4). “A Igreja é e deve voltar a ser uma comunidade do povo de Deus, e os presbíteros, os párocos, os bispos estão a serviço do povo de Deus.”

5). “Quando encontro um clerical, me torno anticlerical de vez. O clericalismo não deveria ter nada a ver com o cristianismo.”

6). “Os jesuítas foram e ainda são o fermento – não os únicos mas, talvez, os mais eficazes – da catolicidade; cultura, ensino, testemunho missionário, fidelidade ao Pontífice.”

7). “A um certo ponto, uma grande luz me invadiu. Durou um instante, mas me pareceu algo longuíssimo. Depois a luz se dissipou. Levantei-me e me dirigi até a sala em que me esperavam os cardeais e a mesa sobre a qual estava o ato de aceitação. Assinei-o, o cardeal camerlengo o assinou, e depois foi o momento do ‘Habemus Papam’.”

8). “A graça faz parte da consciência, é a quantidade de luz que temos na alma, não de sabedoria nem de razão.”

9). [Falando sobre São Francisco de Assis] "Passaram 800 anos desde então e os tempos mudaram muito, mas o ideal de uma Igreja missionária e pobre permanece mais do que válida. Esta é a Igreja que foi pregada por Jesus e pelos seus discípulos.”

10). “Sempre fomos minoria mas o tema, hoje, não é este. Pessoalmente penso que ser uma minoria pode ser uma força. Devemos ser uma semanete de vida e de amor e a semente é uma quantidade infinitamente menor da massa dos frutos, das flores e das árvores que nascem da semente.”

11). “Os padres conciliares sabiam que abrir-se à cultura moderna significava ecumenismo religioso e diálogo com os não-crentes. Desde então foi feito muito pouco nesta direção. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo.”

12). “Certamente não sou Francisco de Assis, e não tenho a sua força e a sua santidade. Mas sou o Bispo de Roma e o Papa da catolicidade. Como primeira coisa, decidi nomear um grupo de oito cardeais para que sejam o meu conselho. Não cortesãos, mas pessoas sábias e animadas pelos mesmos sentimentos.”

III Domingo da Quaresma: Dá-me dessa Água!

Tu és a Fonte de Água Viva!
O elemento central da liturgia deste domingo é a água – símbolo de morte e vida, purificação e símbolo da bênção do próprio Deus que faz “correr rios sobre a terra árida e derramar o seu espírito” (cf. Is 44, 3). Jesus define-se como água viva, infinitamente melhor que a do poço de Jacob.
O Evangelho deste III Domingo da Quaresma coloca-nos diante de uma cena no mínimo caricata: Jesus (um judeu) em plena Samaria, a falar com uma mulher samaritana junto a um poço.
“Neste seu caminhar livre e fecundo entre os estrangeiros, Jesus é mestre de humanidade. É-o para todos, tanto em Lampedusa como nas nossas cidades. É-o com a sua capacidade de ultrapassar as barreiras: as barreiras entre homem e mulher, as barreiras entre gente local e forasteiros («Como é que Tu, sendo forasteiro, me pedes de beber a mim?»), a barreira entre religião e religião («Onde é que se deve adorar a Deus, no nosso monte ou no vosso?»)” (Ermes Ronchi – A Esperança que nasce da Palavra).
“Tinha de atravessar a Samaria” (Jo 4, 4). Jesus estava na Judeia e queria regressar à Galileia. A região da Samaria situava-se entre a Judeia e a Galileia. Porém, não era a única possibilidade de caminho, pois poderia ter subido pelo vale do Jordão (era aí que se encontrava antes de encetar a subida até à Galileia). Contudo, era irresistível a necessidade do encontro esponsal – Deus com a sua esposa perdida.
Cansado da caminhada e no pico do calor, Jesus senta-se na beira de um poço. Surge uma mulher para tirar água do poço. Interpelada por Jesus para que lhe dê de beber, a mulher fica admirada, pois terá percebido que Jesus era da Galileia (os samaritanos e os judeus eram inimigos). Deste encontro de Jesus com a Samaritana nasce um diálogo, que se avizinha fecundo.
Quem representam então as duas personagens junto ao poço? “É evidente quem é a samaritana: é a esposa Israel, que carrega consigo toda a sua história de amores e adultérios; teve muitos «maridos» e o que tem atualmente não é o seu esposo. Jesus encontra-a no poço e quer reconduzi-la ao seu primeiro e único verdadeiro amor, o Senhor” (Fernando Armellini – O Banquete da Palavra, Paulinas Editora).
A humanidade tem sede de paz, felicidade, justiça, amor, de compreensão – as mesmas sedes da samaritana. E Jesus promete uma água viva, uma água que não mais fará sede, que saciará sempre, mesmo nos desertos da nossa vida. Uma água que enche os corações e que transborda de vida, tal como já referia o profeta Isaías (Is 44, 3-4).
O poço de Jesus não se situa no centro do poder civil e religioso do seu tempo, o poço de Jesus não está cheio das muitas certezas condenatórias; mas está cheio das respostas às questões mais íntimas que assaltam os nossos corações. Como cristãos devemos dar resposta às “doenças” da humanidade e resposta que se dá com o silêncio do coração, não com o dedo condenatório que oprime ainda mais e adoece mais ainda quem está doente – ser leito da Fonte de Água Viva – Jesus Cristo.
A mulher não é condenada pelo passado, Jesus não lhe aponta o dedo nem abre um livro de moral com um conjunto de leis, preceitos e regras. “Há um meio, o único meio, de chegar ao poço profundo de cada um, e não é a censura, a crítica, a acusação, mas dar a provar um «pouco mais» de vida, de beleza, de bondade, de primavera: «Dar-te-ei uma água que se torna nascente»” (Ermes Ronchi).
No decorrer do diálogo surge a questão – onde devemos adorar Deus, no vosso monte ou no nosso monte? “Jesus não mandou destruir os locais de peregrinação mas afirmou ser Ele mesmo o verdadeiro santuário, para onde somos chamados a peregrinar. “Adorar a Deus em espírito e verdade é, antes de mais, peregrinar até ao verdadeiro santuário de Deus, que é a Pessoa de Jesus Cristo, que declarou: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim» (Jo 14,6). Aquele que é o Peregrino do Pai fez-se Caminho e Santuário para todos nós que, nele, queremos encontrar a autêntica presença de Deus no mundo: «Templo, não vi nenhum na cidade, pois, o Senhor Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro são o seu templo» (Ap 21, 22)” (Herculano Alves – Símbolos na Bíblia, Difusora Bíblica). O lugar de culto deixou de ser um espaço de pedra, mas é o próprio corpo de Cristo, templo do Espírito Santo.
Do encontro com Jesus, a mulher nasce como nova criatura e saciada pela água viva torna-se missionária e vai à aldeia contar o que viu e ouviu. Larga tudo, deixa o cântaro para trás (sinal da sua antiga vida) e corre para a aldeia. “A mulher da Samaria compreende que não aplacará a sua sede bebendo até à saciedade, mas aplacando a sede dos outros; que se iluminará, iluminando outros, que receberá alegria, dando alegria. Tornar-se nascente: maravilhoso projeto de vida, nascente de esperança, de acolhimento, de amor.
 Por Nuno Monteiro em iMissio.

Via sacra ao vivo 2013

Mais ou menos durante 3 meses, mais concretamente durante os meses de Janeiro a Março, cerca de 60 pessoas da paroquia San David Roldan Lara, entre crianças, jovens e adultos, ensaiaram para representar ao vivo a Via Sacra, na Sexta-feira santa.
Momento da crucifixão, na capela N. Sra. do Sagrado Coração
Todas as quartas, sextas e domingos à tarde, este grupo se reunia para juntos organizar a encenação da Via Sacra, assim como também a Última Ceia e a prisão de Jesus.
Este ano, o tempo esteve mais ou menos clemente, não sendo um sol muito abrasador, mas mesmo assim, a temperatura andou pelos 40 graus celsius ao sol. Como dizia alguém, "é para que o sacrifício de sexta-feira santa seja mais real ao do tempo de Cristo por que ele não tinha chapéu nem garrafinhas de água durante o percurso!"
Este percurso da Via Sacra se iniciou na capela de Imaculada Conceição até à Capela de N. Sra. do Sagrado Coração, durando umas 4 horas e meia. Acompanharam umas duas mil pessoas.
Uma imagem do percurso da Via Sacra

«Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome  que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus,  se dobrem todos os joelhos,  os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!", para glória de Deus Pai». Filip. 2,5-11

American Airways...

"Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus"! 
Para os que não conhecem o Latim, esta expressão se traduz assim: "Os montes parem, um ridículo rato nasceu"! e significa ver algo insignificante e ridículo, quando algo nos foi descrito como grandioso, majestoso...
E, assim, foi a minha viagem de regresso a México. Explico. Comprei o bilhete com a companhia American Airlines. Super barato, com uma passagem "obrigatória" por Miami. Enfim, um sem número de coisas e loisas por essa módica quantia. Um mês antes de iniciar a minha viagem de regresso ao México, recebo um mail a dizer-me que teria afinal de pernoitar nesse aeroporto e que essa tal companhia não se responsabilizava. Tudo por causa de questões logísticas internas...
Diante da minha insistência que não ficava uma noite em Miami, que não pagava nada pelas mudanças e que não era minha a culpa das mudanças e questões operativas e logisticas da esta companhia aerea, por fim lá accederam a mudar-me o bilhete de regresso. Afinal, em resumo, muito show, muitas palavras cheias de verniz, muita publicidade e depois ora bolas para o serviço que prestam...
Assim, como diria Fedro, 'os montes paren, um ridiculo rato nasceu!'...