sexta-feira, 19 de junho de 2009

Eleições em San Antonio...

Estes últimos dois meses têm sido muito especiais... Três partidos lançaram-se à conquista da Câmara Municipal de San Antonio.
O PAN, Partido de Acção Nacional, de facção conservadora (de direita), actualmente no governo e que durante mais de 70 anos foi a oposição. O PRI, Partido Revolucionário Institucional, de centro-direita, partido que por mais de 70 anos governou o México e que é o fruto da revolução mexicana. Por último, o PRD, Partido Revolucionário Democrático, de esquerda, que nasceu nos anos 60. A vida política resume-se a estes três partidos.
O IFE, Instituto Federal Eleitoral, é o organismo que organiza, vigia e dá fé a todo o processo eleitoral mexicano.
No passado dia 5 de Julho, houve eleições municipais e para o governador em sete estados, em especial, no estado de San Luis Potosí. Este ano, as eleições decorreram de maneira organizada, ainda que os calores e a emoção, muitas das vezes, toldam a razão e o bom senso... viver este processo é como participar num Porto-Benfica... ninguém fica indiferente! A publicidade eleitor está por todos os lados! É impressionante a quantidade de posteres, de mantas, de chapéus, de autocolantes... e cada campanha termina com uma espécie de arraial minhoto! Não há como realmente!!...
No final dos resultados eleitores, o problema é que uns choram de alegria por que ganharam e vão "receber" os dividendos, enquanto que os outros choram de tristeza pelas dívidas acumuladas e produzidas pelo marketing eleitoral... como é o caso de Don Victor, candidato do PRD, que para pagar a festa do encerramento da sua campanha teve que mandar matar as suas dez vacas e, agora, o seu ganha-pão que era a venda do leite foi por água abaixo!!...Estes últimos dois meses têm sido muito especiais... Três partidos lançaram-se à conquista da Câmara Municipal de San Antonio.
O PAN, Partido de Acção Nacional, de facção conservadora (de direita), actualmente no governo e que durante mais de 70 anos foi a oposição. O PRI, Partido Revolucionário Institucional, de centro-direita, partido que por mais de 70 anos governou o México e que é o fruto da revolução mexicana. Por último, o PRD, Partido Revolucionário Democrático, de esquerda, que nasceu nos anos 60. A vida política resume-se a estes três partidos.
O IFE, Instituto Federal Eleitoral, é o organismo que organiza, vigia e dá fé a todo o processo eleitoral mexicano.
No passado dia 5 de Julho, houve eleições municipais e para o governador em sete estados, em especial, no estado de San Luis Potosí. Este ano, as eleições decorreram de maneira organizada, ainda que os calores e a emoção, muitas das vezes, toldam a razão e o bom senso... viver este processo é como participar num Porto-Benfica... ninguém fica indiferente! A publicidade eleitor está por todos os lados! É impressionante a quantidade de posteres, de mantas, de chapéus, de autocolantes... e cada campanha termina com uma espécie de arraial minhoto! Não há como realmente!!...
No final dos resultados eleitores, o problema é que uns choram de alegria por que ganharam e vão "receber" os dividendos, enquanto que os outros choram de tristeza pelas dívidas acumuladas e produzidas pelo marketing eleitoral... como é o caso de Don Victor, candidato do PRD, que para pagar a festa do encerramento da sua campanha teve que mandar matar as suas dez vacas e, agora, o seu ganha-pão que era a venda do leite foi por água abaixo!!...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ultreia... em San Antonio

Durante três dias, o pequeno município de Santo António vestiu-se com o seu melhor fato de gala. Também não era para menos... O ruído dos alegres e fortes foguetes ainda ecoavam nos ouvidos...
O motivo era a festa em honra de Santo António de Pádua, ou de Lisboa!!! É o mesmo santo!!! Não se confundam...
Na tarde de domingo, 14 de Junho, o termómetro marcava 45 graus e o sol estava no seu ponto mais forte. Por volta das duas da tarde chegou o autocarro com os fieis da paroquia de Nossa Senhora de Guadalupe. Vinham de: "O Pujal", "La Marina", "El Lobo", "A Cuiche", "O Pormenor", e "Tantizohuiche" da Cd Valles, e inundaram a praça municipal de Santo António com um colorido de alegria e fé. Pareceu-me um dia feliz de Primavera, pois todos os que chegaram traziam uma bandeira, ou um balão, ou um lenço colorido, dando assim um ambiente espectacular de Primavera a este domingo de calor infernal. Deste modo, o forte sol não conseguiu desanimar o entusiasmo dos que rapidamente começaram a subir a rua que os levava à Igreja Paroquial.
- "Norma, por favor, apontas os nomes, está bem? E tu, Neptalí, por favor, entregas também os crachás, certo?", Perguntava Reyna, cursista de Santo António, com um sorriso estampado no rosto e um misto de alegria e preocupação.
- "Claro", responderam-lhe.
- "Obrigado. Que lindo puder contar com o apoio de vocês ". - reconheceu.
Alguns minutos mais tarde, os primeiros cursistas, de El Pujal, apareceram na porta principal da Igreja de Santo António.
- "De colores!!", gritaram eles, como que dizendo "já chegámos!"
Em poucos minutos a igreja estava repleta de todas as cores da alegria, realmente, havia festa. Foi a festa "De Colores"!
Depois da apresentação e da música "De Colores", a presidente diocesana, Sra. Bertha, incentivando todos os presentes, falou sobre a importância de viver a dinâmica do crescimento na fé deste movimento seguindo os três passos: a reunião de grupo, a Ultreia paroquia e a escola de grupo.
Continuando com o programa, Elisa Cabrera, cursista de Santo António, fez a palestra sobre a necessidade de um ambiente propício para que cada cristão possa desenvolver -se plenamente. No final da palestra, foi cantado com muita alegria a música: "Você veio, Senhor Jesus!". Bem, realmente, olhando os rostos de todos nós podia-se afirmar que Jesus estava realmente presente. Como o centurião no Monte Calvário, penso que cada um também podia exclamar: "Em verdade, aqui no nosso meio está Jesus!"
As seis cursistas de San Antonio, - a Reyna, a Elisa, a Crecencia, a Esdras, a Guadalupe e a Guadalupe Neri deram o seu testemunho e partilharam as suas experiências.
Com algumas músicas alegres, deu-se inicio à marcha pelas ruas de Santo António. Todos nós fomos caminhando e cantando, dando vivas ao nosso grande amor: Jesus Cristo! E para comemorar, em seguida, celebrou-se a Santa Missa neste domingo, com a participação de todos.
Terminada a mesa da Eucaristia, tivemos a bela oportunidade de conviver com as novas cursistas, seguindo as pegadas dos primeiros cristãos, que com generosidade e com todo o coração, partilhavam os seus dons e qualidades, não excluindo os dons culinários...
Na verdade, foi uma bela tarde. Ou, como uma meia-voz, Elisa dizia: "Que imensa alegria enche meu coração!" ¡De Colores!

«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa». Jo. 15,11

47 anjos!

Em Hermosillo, capital do grande estado de Sonora, que se situa na região norte do México e faz fronteira directa com os Estados Unidos, no passado dia 5 de Junho aconteceu uma verdadeira tragédia.
Eram as duas da tarde no jardim infantil ABC, as educadoras deitavam nos respectivos berços as últimas crianças, quando repentinamente uma autêntica chuva de fogo começou a cair-lhes em cima. Não podiam acreditar no que viam...
Como podem ver na imagem que se encontra do lado esquerdo, foi assim que aconteceu esta tragédia dolorosa. Diz aí que foram 44 miúdos mortos, mas infelizmente já subiu para os 47. O jardim albergava um total de 126 miúdos, inclusive bebés de 4 meses, filhos de gente trabalhadora. Uma vez que, este estado por ser fronteiriço é onde mais industrias americanas estabelecer-se por causa da mão de obra abundante.
Paz aos 46 anjos e consolo para os seus pais e famílias.

«Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram». Ap 21,4

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Marcha de Jovens - Pentecostes

- “Padre, os jovens da confirmação já estão preparados para a marcha...
- “Ah!.., Ok, Tomás, que bom... dá-me mais cinco minutos para organizar o que ainda falta, e saímos depois...
Tomás tem 45 anos, está casado com Catalina, têm cinco filhos e vive na comunidade de Altzajib, a qual se situa a uma hora e meia de distância de San Antonio. Isto se o caminho for feito de camioneta. Tomás e Catalina são os catequistas da confirmação desta comunidade.
Depois de vários anos doente, Catalina, como gesto de agradecimento a Deus, pela sua recuperação, decidiu oferecer-se como voluntária para catequista do curso da Confirmação. Tomás, vendo a dedicação da sua esposa, juntou-se a ela. Desde há dois anos, este casal, sábado atrás de sábado, partilham, analisam e debatem o catecismo com um grupo de 20 jovens.
No dia 31 de Maio de 2009, reuniram-se na Igreja Paroquial mais de trezentos jovens oriundos de todas as comunidades de San Antonio: Altzajib, Lejem, Colonia Altamira, Tanchahuil Centro, Tanchahuil II Sección, Cuechod, San Pedro, Pokchich, Patnel, Xolol e Tocoy.
À hora marcada, 11.30 horas da manhã, desfilaram pelas ruas e pobres avenidas desta pequena cidade. Tomás e Catalina levantaram-se às cinco da manhã e duas horas depois, concluídos todos os seus afazeres, foram à capela de Altzajib para esperar pelos jovens. Uma vez que tinham combinado sair para San Antonio às sete e meia da manhã. Como o tempo ameaçava chuva, mais vale sair cedo, porque existe a possibilidade de ficar encalhado no barro do caminho, pois o caminho entre Altzajib e San Antonio é de terra batida.
Na Igreja, já se ouviam os primeiros acordes das guitarras e o coro paroquial, quando os jovens de Altzajib chegaram com Tomás e Catalina. Antes da marcha, realizou-se uma assembleia de oração dirigida pelo movimento da renovação carismática católica. Ao terminar esta assembleia, muitas pessoas, da paróquia, estavam admiradas com o grande número de jovens presentes.
Meia hora antes do inicio da Santa Missa, organizados em quatro filas, estes trezentos jovens com lenços, balões, bandeiras e outras coisas parecidas, passearam pelas ruas de San Antonio, cantando e gritando que com a força do Espírito a vida ganha sentido. Tomás, com um misto de preocupação e emoção, veio chamar-me, a hora já ia avançada e era necessário dar inicio à marcha, até por que o sol ia subindo e a temperatura aumentando...
Como resposta ao pedido da conferência episcopal mexicana, realizada no passado mês de Abril, consagrou-se esta nação ao Espírito Santo. A sua oração foi lida, rezada e distribuída neste dia em todas as paroquias e templos.
Aqui, em San Antonio, os jovens, depois da Marcha, cantaram e declamaram esta oração de consagração, pedindo pela paz e segurança em todo o país. Nos últimos meses, este país, de norte a sul, tem sido varrido por uma onda de violência sem precedentes, fruto do narcotráfico. Todos os dias, é notícia que em determinada cidade houve um ataque de grupos armados; todos os dias há gente que é sequestrada. Contra esta espécie de terror diário, os bispos pediram aos católicos mexicanos que rezassem pela consagração ao Espírito Santo.
Como há 85 anos atrás, quando este país era devastado pela “Guerra Cristera” (guerra civil mexicana entre 1926 e 1929, que dividiu o país por causa das leis de separação entre a Igreja-Estado e que a igreja sofreu uma intensa perseguição, em especial os sacerdotes), os bispos, como resposta à perseguição que a Igreja sofria, consagraram o país ao Espírito Santo. Passados alguns meses, o Espírito Santo falou. A paz nasceu novamente neste país.
Assim, como há 85 anos, os bispos perante este terror resolveram consagrar, novamente, o país ao Amor deste Santo Espírito. Em todas as dioceses, neste dia de Pentecostes, efectuou-se a consagração do México ao Espírito. O objectivo principal foi pedir a paz, a segurança e o crescimento da fé no coração de todas as famílias mexicanas.
Os jovens de San Antonio, cheios de alegria, unindo as suas vozes cantaram ao Espírito Santo e gritaram numa só voz: “Vem Espírito Santo e dá-nos a tua Paz!”

«Quem diz que permanece em Deus também deve caminhar como Ele caminhou». 1Jo 2,6

Maio, mês de ... gripe, de "influenza" e outras influências...

Com um ar de uns sessenta anos, dobrados pelo trabalho duro do campo e a pele morena com umas manchas queimadas pelo sol ardente, próprio desta terra Huasteca, Alberto é um catequista da comunidade de “El Progreso”. Casado há trinta anos, pai de seis filhos, para ele explicar o catecismo aos jovens, que se preparam para a confirmação, é um verdadeiro prazer. E os jovens gostam de escutar-lo...
No passado dia 03 de Maio, que foi um domingo, aqui, no México, celebrou-se a Festa da Santa Cruz (é o dia de festa da Construção civil). Em todas as construções, havia cruzes por todo o lado. Por causa da “Influenza”, nome engraçado para esta gripe, não podemos celebrar a Santa Cruz na comunidade de Elipte, nem contar com a visita do Senhor Bispo de Ciudad Valles.
Continuando com a nossa história, o Senhor Alberto, como toda a gente da paroquia de San António de Padua, sabia que no dia 03 de Maio, como cada ano, nos reunimos na comunidade de Elipte para celebrar a Festa da San Cruz. Ficou de olhos 'semi-esbugalhados' quando chegou à Igreja paroquial e a encontrou de portas fechadas.
Mas mais admirado ficou, quando queria cumprimentar-me e lá lhe disse que não era recomendável cumprimentar de aperto de mão, por que o Ministro da Saúde tinha pedido que durante quinze dias não houvessem nem assembleias nem reuniões. Tudo para não se alastrar a propagação do vírus da gripe.
Depois de três de dedos de conversa, Sr. Alberto, com o seu sorriso maroto, perguntou-me: “Mas, ó Padre, é mesmo verdade isso que você me está a contar?” Não pode conter o sorriso... Com mais uns três dedos de conversa amena, lá intentei explicar que o que lhe dizia era verdade e que, por essa razão, não havia missa da Santa Cruz nem toque dos sinos... Depois desta conversa, e como tinha frisado que não havia toque dos sinos, então o Sr. Alberto, não muito convencido, lá me respondeu: “Bom, Padre, vou então para a minha casa rezar e pedir a Deus que não nos mande já o fim do mundo!!”...
Como podem dar-se conta os últimos acontecimentos nesta terra mexicana, uma vez mais, foram vividos e encarados por duas maneiras diferentes e quase antagónicas. Nas cidades, houve preocupação e algo de medo, o que fez com que a população seguisse as normas e pedidos insistentes do Ministério da Saúde: nada de reuniões, de assembleias, jogos de futebol à porta fechada e pela Televisão, concertos cancelados, festivais anulados, festas suspendidas... enfim, tudo para que o tal vírus não se propagasse, ou melhor, para que a epidemia não se alastrasse mais...
Assim durante quinze dias, a grande metrópole que é a Cidade do México ficou praticamente às moscas. Não havia serviço de metro, de transporte urbano. Imaginem que é uma cidade efervescente com mais de 20 milhões de um dia para o outro ser uma cidade quase fantasma. Contudo, esta atitude social traduz uma grande consciência de solidariedade e de bem comum; por causa desta epidemia provocada por este vírus houve inúmeros empregos que ficaram afectados, em especial, os vendedores ambulantes com as suas tendas móveis que pululam por todas as ruas e vielas da Cidade do México e que vivem do dia a dia.
Enquanto se vivia deste modo na Cidade do México, como também em quase todas as demais cidades mexicanas, em San António, sem escola nem mercado semanal por decreto do governador do Estado, a vida continuava o seu ritmo... Cada manhã, homens como o sr. Alberto, de catana e mochila do lanche às costas, subiam às suas parcelas para cultivar o milho, visto que a épocas das chuvas aproxima-se e o fiel amigo São Isidro Lavrador sempre traz as abundantes chuvas e a temporada dos furacões.
Por isso, passados uns dias, encontrei o sr. Alberto, de caminho para a sua parcela e meio a brincar, disse-me: “Já lhe posso dar um aperto de mão ou ainda?” Sorri e disse-lhe que ainda não, que era melhor prevenir do que remediar. Nos sentámos à sombra da árvore 'Froilán' e falámos um pouco da vida, de como vão as coisas... Do milho que vai perdendo o seu preço, do 'piloncillo' (açúcar de cana) que vai pelo mesmo caminho, dos livros, da roupa e comida que dia com dia vai subindo de preço... Conversámos sobre os jovens que já não querem viver em San António, por que a cidade os atrai, assim como também das eleições que se avizinham e que sempre trazem as eternas promessas por cumprir.
Depois de três quartos de hora em amena cavaqueira, despedi-me dele e decidi seguir o meu caminho em direcção à caminho de Cuechod. Enquanto caminhava, ia pensando para com os meus botões que, de facto, o México tem dois pulmões, no dizer de Octávio Paz: o citadino com o seu frenesim moderno e o indígena e rural, onde o tempo e vida se marcam ao ritmo do campo, das chuvas e das festas tradicionais e, felizmente e graças a Deus, os vírus e as epidemias têm medo de chegar.

«
Por isso, é necessário prestarmos maior atenção ao que ouvimos, para que não nos transviemos. Se, de facto, uma palavra pronunciada pelos anjos permaneceu válida e toda a transgressão e desobediência receberam a justa retribuição, como escaparemos nós, se desprezarmos tão grande salvação? Tendo sido primeiro proclamada pelo Senhor, essa salvação foi-nos confirmada pelos que a escutaram e foi testemunhada por Deus, por meio de sinais e prodígios, por diversas manifestações de poder e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a sua vontade». Hb 2,1-4

domingo, 17 de maio de 2009

Influenza... de México para o mundo...

Durante os últimos dias de Abril e princípios de Maio, todo o mundo virou os seus olhos para este querido e bonito país de nome: México... A razão não podia ser mais trágica e cínica: não era o turismo ou a suas inúmeras belezas naturais atrair a atenção deste nossa aldeia global, mas sim uma gripe sazonal, que rapidamente se tornou uma epidemia mundial, que a denominaram de: gripe suína... logo pelo nome notava-se a mensagem que queriam passar, ainda que muitos académicos dissessem que o seu baptismo se deveu à mutação genética... como diria o patriarca dos espiritanos no México, Pe. Frank Kichak: "Como no!", que significa "era bom isso, era era!"...
Mas, os governantes de México e a sua sociedade deram, ao México, um forte exemplo de solidaria e responsabilidade social e humana. Durante três semanas consecutivas, todos os centros o espaços onde as pessoas se podiam aglomerar foram totalmente fechados: estádios, discotecas, bares, restaurantes, locais de desporto, de lazer, escolas, fábricas, hotéis, Igrejas, enfim, toda a sociedade se responsabilizou em fazer parar os efeitos negativos desta gripe. Claro que houve grandes perdas económicas, em especial ligadas ao turismo, mas houve uma grande vitória: a social, traduzida neste belíssimo exemplo de coragem governativa e responsabilidade social e humana.
Na verdade, pode-se dizer: foi feito no México = Made in México! Orgulhosamente!

«Recorda-lhes que sejam submissos e obedientes aos governantes e autoridades, que estejam prontos para qualquer boa obra, que não digam mal de ninguém, nem sejam conflituosos, mas sejam afáveis, mostrando sempre amabilidade para com todos os homens. Pois também nós éramos outrora insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de toda a espécie de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja, odiados e odiando-nos uns aos outros. Mas, quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, não em virtude de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas da sua misericórdia, mediante um novo nascimento e renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados pela sua graça, nos tornemos, segundo a nossa esperança, herdeiros da vida eterna. Esta palavra é digna de fé, e desejo que tu fales com firmeza destas coisas, para que os que acreditaram em Deus se empenhem na prática de boas obras, pois isso é bom e útil para os homens.» Tit 3,1-8

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Judea, FENAHUAP, Playaso, entre outros = paganismo hedonista...

O dia amanheceu claro e com um sol a aquecer... o sol de Março! Segundo o adágio, Fevereiro Louco, Março outro pouco!!! Isto é, uns dias primaveris e outros que trazem os ventos invernais... enfim, dizem que tudo isto é o fruto do buraco na camada do ozono, mas os que criaram os provérbios só entendiam que sempre foi assim!
Bom, estamos no fim de Março, princípios de Abril, e o Padre Suawek, lendo o jornal que comprou em Tampico, dizia-me: "Olha lá, começou a festa da praia em Tampico. Assim como em Cd. Valles, deu-se início à Feria Nacional de la Huasteca Potosina (FENAHUAP)! Só falta aqui em San Antonio começarem com a Judea... Não consigo viver este tempo de Semana Santa... Tanta festa que uma pessoa nem consegue saber o que é realmente a Páscoa!"
Quando acabei de escutar isto, fiquei a pensar para com os meus botões... "Tem razão, nem eu consigo perceber esta mistura de Carnaval com o acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo..."
No México, uma coisa que logo se nota é o grande sincretismo, ou uma espécie de sincretismo religioso, que se manifesta em diversas ocasiões. Não há aparente contradição em celebrar a paixão, morte e ressurreição de Jesus e, ao mesmo tempo, viver o tempo de Carnaval com foliões e tudo o que por defeito se junta...
Concomitantemente, os vizinhos do norte (USA e Canadá) ajudam a que este sincretismo pagão cresça. Pois, as férias da Páscoa são o tempo do famoso "Springbreak", isto é, a pausa da primavera, na qual milhares de jovens deixam os seus lares e rumam aos destinos turísticos mexicanos para darem largas à suas peculiares festas universitárias... Ora, na cidade de Tampico, que está plantada à beira-mar, no Golfo do México, infelizmente a Páscoa está a ser substituída pela festa da praia. Durante a semana santa, todas as tardes, há concertos musicais e demais eventos de relaxe... em vez de semana santa. É mais semana musical ou semana de festivais!!!
Não quero, com estas pobres palavras, manifestar uma atitude retrograda ou, pior ainda, fazer uma cruzada contra todos aqueles que preferem passar assim o tempo pascal, disfrutando deste modo a sua merecida pausa laboral ou as suas merecidas férias.
No entanto, não posso deixar de manifestar o meu tal repudio perante tanta gente que utiliza as celebrações cristãs como motivo para as suas festitas. Somos todos parte da mesma e única sociedade, mas não me peçam silêncio quando vejo que uns quantos iluminados gozam e desvirtuam o verdadeiro sentido da "pausa" que se faz actualmente e que nasceu num contexto de celebração da fé.
Concretizando, não posso deixar de lamentar que a FENAHUAP, o "Playaso" de Tampico, ou a "Judea" de San Antonio utilize o calendário litúrgico e as suas celebrações para organizar, luzir e ganhar uns patacos à custa deste momento central da fé cristã...
Não nos roubem o que é nosso... Semana santa não é diversão! Nunca o foi, nem nunca o será. Felizmente! Por isso, semana santa é santa por que se vive, se medita e actualiza a dádiva de vida de Jesus Cristo. Isto é a sua razão de ser... o resto são meros truques publicitários para enriquecer uns quantos bolsos...

«Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão. Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze». 1ª Cor 15,1-5

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Domingos de Ramos: 2009

Como manda a tradição, no Domingo de Ramos, San Antonio veste-se de festa... como podem ver nesta foto reportagem... Espero que gostem...




«Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, o grupo dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. E diziam: "Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no Céu e glória nas Alturas!" Alguns fariseus disseram-lhe, do meio da multidão: "Mestre, repreende os teus discípulos." Jesus retorquiu: "Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras."» Lc 19,37-40

André, seminarista polaco em estágio missionário

André nasceu na Polónia, tem 29 anos e três como seminarista espiritano. Há seis meses chegou a Portugal para fazer a sua experiência missionária. Actualmente, trabalha e vive na paroquia de Pantepec com o Pe. Casimiro, também ele polaco de nascimento.
Uma semana antes do Domingo de Ramos, veio visitar e conhecer a huasteca, e ficou hospedado na paroquia de San Antonio. Na companhia do Pe. Suawek, também polaco, e vive nesta paroquia, pôde apreciar o trabalho missionário desenvolvido nesta paroquia e conhecer, também, as inúmeras belezas naturais da Huasteca Potosina.
André, muitas felicidades e boa experiência missionária.

«Exorta igualmente os jovens a serem moderados, apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós». Tit 2,6-8

quinta-feira, 19 de março de 2009

México, e a crise...

Durante os primeiros meses do ano, a palavra mais falada e repetida é crise. Qualquer coisa que aconteça, qualquer desgraça que sucede, qualquer calamidade que acontece, qualquer nota negativa ou doença que é diagnosticada é sinal da crise... Tanto em Portugal como no México, a palavra crise tende a ser a explicação para tudo e para nada... infelizmente, a realidade é esta.
Em San Antonio, como reflexo da crise económica dos Estados Unidos, o número de habitantes manteve-se estável, pois durante este ano os homens não saíram para os vizinhos do norte, em busca de melhores oportunidades e de trabalho. Todos os anos, muitos chefes de família deixam os seus lares e vão ao outro lado (expressão mexicana que significa ir para os USA), em busca de um salário mais vitaminado, pois os seus filhos querem estudar, querem ter uma casa mais condigna e, infelizmente, a realidade laboral e social não ajuda. Isto implica que durante nove ou dez meses 80% da população, em San Antonio, é apenas constituída por mulheres e crianças. A força produtiva imigra para os USA. Uns vão documentados e previamente contratados, enquanto que 90% vai ilegal e clandestinamente...
Por causa da crise, este ano de 2009, muitos senhores preferiram continuar em San Antonio. Os que já se tinha adiantado ou que la continuavam, tiveram que regressar, pois o emprego foi-se... A crise provocada pelas economias fortes desestabilizou-se as pequenas e rurais economias... Por outro lado, os campos e terrenos agrícolas que durante alguns anos não foram cultivados e estavam como terreno baldio foram novamente recuperados. Pessoalmente, acho interessante ver a paisagem de San Antonio tornar-se num verde simétrico, a ver família inteiras a arar os seus campos, a semearem milho e feijão, os pais a passarem mais tempo com os seus filhos... felizmente, é caso para dizer que não há mal que não traga um bem!

«Fica sabendo que, nos últimos dias, surgirão tempos difíceis. As pessoas tornar-se-ão egoístas, interesseiras, arrogantes, soberbas, blasfemas, desrespeitadoras dos pais, ingratas, ímpias, sem coração, implacáveis, caluniadoras, descontroladas, desumanas e inimigas do bem, traidoras, insolentes, orgulhosas e mais amigas dos prazeres do que de Deus. Conservarão uma aparência de piedade, mas negarão a sua essência. Procura evitar essa gente. Tu, porém, seguiste de perto o meu ensinamento, o meu modo de vida e os meus planos, a minha fé e a minha paciência, o meu amor fraterno e a minha firmeza. Permanece firme naquilo que aprendeste e de que adquiriste a certeza, bem ciente de quem o aprendeste. Desde a infância conheces a Sagrada Escritura, que te pode instruir, em ordem à salvação pela fé em Cristo Jesus. De facto, toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa». 2Tim. 3,1-5.10.14-17