segunda-feira, 6 de abril de 2009

André, seminarista polaco em estágio missionário

André nasceu na Polónia, tem 29 anos e três como seminarista espiritano. Há seis meses chegou a Portugal para fazer a sua experiência missionária. Actualmente, trabalha e vive na paroquia de Pantepec com o Pe. Casimiro, também ele polaco de nascimento.
Uma semana antes do Domingo de Ramos, veio visitar e conhecer a huasteca, e ficou hospedado na paroquia de San Antonio. Na companhia do Pe. Suawek, também polaco, e vive nesta paroquia, pôde apreciar o trabalho missionário desenvolvido nesta paroquia e conhecer, também, as inúmeras belezas naturais da Huasteca Potosina.
André, muitas felicidades e boa experiência missionária.

«Exorta igualmente os jovens a serem moderados, apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós». Tit 2,6-8

quinta-feira, 19 de março de 2009

México, e a crise...

Durante os primeiros meses do ano, a palavra mais falada e repetida é crise. Qualquer coisa que aconteça, qualquer desgraça que sucede, qualquer calamidade que acontece, qualquer nota negativa ou doença que é diagnosticada é sinal da crise... Tanto em Portugal como no México, a palavra crise tende a ser a explicação para tudo e para nada... infelizmente, a realidade é esta.
Em San Antonio, como reflexo da crise económica dos Estados Unidos, o número de habitantes manteve-se estável, pois durante este ano os homens não saíram para os vizinhos do norte, em busca de melhores oportunidades e de trabalho. Todos os anos, muitos chefes de família deixam os seus lares e vão ao outro lado (expressão mexicana que significa ir para os USA), em busca de um salário mais vitaminado, pois os seus filhos querem estudar, querem ter uma casa mais condigna e, infelizmente, a realidade laboral e social não ajuda. Isto implica que durante nove ou dez meses 80% da população, em San Antonio, é apenas constituída por mulheres e crianças. A força produtiva imigra para os USA. Uns vão documentados e previamente contratados, enquanto que 90% vai ilegal e clandestinamente...
Por causa da crise, este ano de 2009, muitos senhores preferiram continuar em San Antonio. Os que já se tinha adiantado ou que la continuavam, tiveram que regressar, pois o emprego foi-se... A crise provocada pelas economias fortes desestabilizou-se as pequenas e rurais economias... Por outro lado, os campos e terrenos agrícolas que durante alguns anos não foram cultivados e estavam como terreno baldio foram novamente recuperados. Pessoalmente, acho interessante ver a paisagem de San Antonio tornar-se num verde simétrico, a ver família inteiras a arar os seus campos, a semearem milho e feijão, os pais a passarem mais tempo com os seus filhos... felizmente, é caso para dizer que não há mal que não traga um bem!

«Fica sabendo que, nos últimos dias, surgirão tempos difíceis. As pessoas tornar-se-ão egoístas, interesseiras, arrogantes, soberbas, blasfemas, desrespeitadoras dos pais, ingratas, ímpias, sem coração, implacáveis, caluniadoras, descontroladas, desumanas e inimigas do bem, traidoras, insolentes, orgulhosas e mais amigas dos prazeres do que de Deus. Conservarão uma aparência de piedade, mas negarão a sua essência. Procura evitar essa gente. Tu, porém, seguiste de perto o meu ensinamento, o meu modo de vida e os meus planos, a minha fé e a minha paciência, o meu amor fraterno e a minha firmeza. Permanece firme naquilo que aprendeste e de que adquiriste a certeza, bem ciente de quem o aprendeste. Desde a infância conheces a Sagrada Escritura, que te pode instruir, em ordem à salvação pela fé em Cristo Jesus. De facto, toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa». 2Tim. 3,1-5.10.14-17

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CPM mexicano!!!

Nos sábados 7 e 14 de Fevereiro, dezasseis casais da paroquia de San Antonio fizeram o curso de CPM (curso de preparação para o matrimonio). Este encontro foi orientado e organizado pelo Pe. Suawek, que já antes, na paroquia de Tanlajás, tinha organizado os cursos anteriores.
Tanto ele como eu ficamos contentes com a participação de tantos casais; isto porque já há três anos que vínhamos animando os casais a participar na preparação dos futuros matrimonios de San Antonio, mas até este encontro a resposta era nula... Finalmente, a semente germinou!

«Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. Ele quis apresentá-la esplêndida, como Igreja sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem também os maridos amar as suas mulheres, como o seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. De facto, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo; pelo contrário, alimenta-o e cuida dele, como Cristo faz à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo». Ef. 5, 25-30

Mais um aniversário...

No dia 30 de Janeiro, celebrei o meu trigésimo terceiro aniversario natalício, nestas terras queridas da Huasteca Potosina. Foi uma quarta-feira, e como todas as quartas-feiras, fui fazer o programa de radio na XCEV, sinal 500 am. Lá encontrei-me com o Pe. Victor, a Carmen e a Lizzy. Juntos fizemos mais uma emissão de "All together - Todos Juntos" - programa radiofónico juvenil que tem como objectivo criar a comunhão na diocese de Cidade Valles; assim como, possibilitar que as pessoas que vivem mais afastadas tenham a oportunidade de saber das actividades pastorais, encontros, retiros e outras actividades, bem como sentir o pulsar da diocese, nos seus desafios, entre outros.
Terminado o trabalho, fomos até à casa da Lizzy, que junto com a sua família, tinha preparado uma carne assada "a la mexicana". Foi um bonito momento de amizade e alegria. Muito obrigado por me darem a oportunidade de celebrar um ano mais com vocês...

O quinto dia (13.02.09)

O nosso retiro terminou com o prolongado tempo de Lectio Divina. O Pe. Carlos, nosso orientador, indicou-nos que agora toca a cada um de nós fazer desta leitura vida. Deste exercício nosso hábito, para podermos viver o pedido da Igreja e da própria palavras de Deus: que o alimento da tua vida seja a Palavra que sai da boca de Deus.
No fim deste tempo de leitura pessoal, tivemos a Eucaristia como conclusão, seguida do almoço. Depois deste duplo repasto, todos nós, espiritanos no México, regressámos aos nossos locais de trabalho e de vida; uns à Cidade do México, cidade imensa, outros a Tampico, e outros à verdejante Huasteca, terra de cor e alegria...

«Respondeu-lhe Jesus: "Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus".» Mt. 4,4

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O quarto dia (12.02.2009)

A manhã deste dia apresentou-se nublada... O frio parece que tinha dado lugar à neblina. Às oito em ponto, Pe. Juan deu início à oração da manhã. Cantada e meditada, os salmos ajudaram-nos a entrar em clima de oração escutada e rezada...
Após o pequeno-almoço, às nove e meia, o Pe. Carlos falou-nos que temos que passar a uma interiorização da palavra de Deus na nossa vida religiosa, missionária e espiritana. Para que isto seja uma realidade, deu-nos um primeiro método de leitura orante da Palavra de Deus em comunidade ou para os pequenos grupos paroquiais. Pode-se resumir a estes seis passos:

a). Ir ao texto, ler mais do três vezes e, em grupo, por pessoas diferentes e com versões ou traduções diferentes...
b). Ir ao 'exterior' do texto, visualizando (empregando a imaginação, claro!) os espaços e as pessoas do texto...
c). Ir ao 'interior' do texto, auscultando os sentimentos dos personagens do texto, as suas reacções, as suas emoções, como se sentem, como interactuam...
d). Ir à mensagem do texto, fazendo uma partilha comunitária, sublinhando o que cada membro vai extraindo do texto bíblico como mensagem para o hoje da sua vida...
e). Ir ao que me diz Deus através deste texto... que moções o Espírito Santo me está a dar com este texto...
f). E finaliza-se esta leitura orante, realizando em grupo uma oração final... cada membro do grupo, ou da comunidade orante, faz uma pequena oração conclusiva... Viver segundo o Espírito, talvez seja este um dos seus caminhos...
Ao meio-dia, reunimo-nos para dialogarmos sobre a “Dinâmica Espiritual da Lectio Divina”... vimos juntos o seu método clássico, os seus frutos, as dificuldades, a sua necessidade..., enfim, tudo o que é necessário para que esta dinâmica espiritual dê fruto e nos transforme em Discípulos e Missionários... Na opinião do Pe. Carlos, a Leitura Orante da palavra é a escola cristã mais autentica e eficaz.
Antes do almoço, fomos convidados a rezar pessoalmente com esta dinâmica... com o evangelho de São Marcos!
De tarde, tivemos um momento pessoal de Lectio Divina, e um outro por grupos, o qual serviu para preparar a homilia deste domingo. Em pequenos grupos, podemos aprofundar mais este método dinâmico de leitura-escuta-acção da Palavra de Deus.
Antes do jantar, tivemos a oportunidade de celebrar a Eucaristia no santuário da cruz com os padres do Espírito Santo (são os nossos irmãos, fundados nesta cidade de San Luís), e cada quinta-feira se realiza uma QUINTA-FEIRA SACERDOTAL!...

«Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm, ouviu-se dizer que estava em casa. Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Mc. 2,1-5

O terceiro dia (11.02.2009)

Às sete da manhã, tocou o meu despertador... Bom, há que levantar-se... ainda que o frio do exterior e o quente da cama, convidem a que continue debaixo dos cobertores... Depois da oração comunitária de Laudes e dum sóbrio pequeno-almoço, subimos à sala de cima para mais um encontro-reflexão sob a orientação do Pe. Carlos Triana. Desta feita, meditamos sobre a importância da Lectio Divina nas propostas e mensagem final do último sínodo que terminou no mês de Janeiro, dedicado à Palavra de Deus. Foi emocionante, e ao mesmo tempo, desafiador, descobrir que a mensagem final dos padres sinodais, com uma bela imagem, falam-nos de ouvir e escutar a voz da Palavra que é a revelação cristã; de descobrir o rostro desta Palavra que é Jesus Cristo; de habitar na casa da Palavra que é a Igreja, com os seus quatro alicerces: a mesma palavra, a Eucaristia, a oração e a comunhão fraterna... então podermos tomar o caminho da Palavra que é a Missão!!! Cada um de nós foi convidado a seguir esta meditação comunitária, interrogando-se se a Palavra de Deus ressona na minha vida; se esta mesma palavra se contempla em Cristo; se esta Palavra se vive em comunhão com a Igreja nos seus diversos níveis; e, por fim, se esta mesma Palavra de Deus nos leva à missão...
Num segundo momento de reflexão, o Pe. Carlos levou-nos a descobrir as imagens bíblicas sobre a Palavra de Deus, com o objectivo de nos deixarmos alimentar por esta mesma Palavra: que é fogo que queima e purifica; que é mel de sabedoria; que é uma lâmpada que ilumina os nossos caminhos; que é pão e leite que alimenta a nossa fome e sede de Deus; que é uma espada que nos defende das flechas adversas; que é uma semente que fecunda e dá vida em abundância e que é uma chuva e neve que empapa as pessoas e torna-as capazes de produzir frutos abundantes...

Oh, Senhor, asperge-nos com a tua Palavra, que ela empape a nossa vida inteira, a impregne totalmente com o teu Amor e nos faça dar frutos de vida eterna. Ámen”.

Às duas da tarde, tivemos o almoço, que como tem sido regra da casa, foi muito frugal... Pe. Bernardo dizia que ainda não tinha comido verdadeiramente porque o seu arroz ainda não tinha sido parte do menu!!!Às cinco da tarde, nos reunimos para escolher o texto para a Lectio Divina, feita primeiro individualmente e, depois, comunitária em pequenos grupos. É sempre muito proveitoso escutar a Palavra de Deus em comunidade. Os olhos e os ouvidos dos demais são óptimos instrumentos do Espírito Santo.Às sete e um quarto tivemos a celebração da Eucaristia, presidida pelo Pe. Bernardo. Durante o dia, em várias oportunidades, partilhámos a Palavra de Deus. Não podia ter sido melhor a preparação para a Santa Missa.
Depois da ceia, alguns de nós fomos a caminhar pelas vielas e ruas do Santuário da Santa Cruz, que é uma espécie de “Little Vatican”!!! Numa área de um km, há cerca de dez casas religiosas... e todas estas casas estão adaptadas em casas de Retiros...
«Porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim». Jo 12,49-50

O segundo dia (10.02.2009)

Às 9,30 horas, tivemos o nosso primeiro encontro que versou sobre a descoberta de la Lectio Divina, ou melhor dizendo, sobre o porquê de fazermos um retiro sobre a Palavra de Deus com o seguinte tema: “Discípulos e missionários da Palavra de Deus”.
Depois, fizemos um tempo de meditação pessoal...
Às 11.30 horas da manhã, tivemos novamente um momento de reflexão comunitária. Este momento incidiu sobre a necessidade e importância da leitura orante da Palavra de Deus na vida de cada missionário e sacerdote. Ser discípulo é ser aquele que escuta incessantemente a Palavra e ser missionário é ser um eterno anunciador da Palavra que se escutou... Ou, como dizia o Pe. Libermann (nosso fundador) aos seus missionários: temos de ser ouvintes atentos da Palavras para poder proclamar-la ou então seremos “adulterantes Verbum Dei” (= adulteradores da Palavra de Deus)!!!
Como conclusão comunitária, sentimos a necessidade de viver uma impregnação bíblica da nossa pastoral (estar empapado pela Palavra de Deus!), da nossa missão para ser sempre discípulos e missionários do Pai ao serviço do Reino...
Depois de uma refeição frugal, que alguns chegaram a pensar estar numa quarta-feira de cinzas antecipada, vivemos um momento individual de leitura orante da Palavra de Deus. Finalizado este momento, reunimo-nos em pequenos grupos para partilhar a experiência e as riquezas da Palavra de Deus.
A mim, tocou-me presidir à Eucaristia deste dia. No momento da homilia, fizemos um espaço estilo Taizé - com dois refrões dos mais conhecidos, cantámos intercalando frases bíblicas ou pequeninas invocações ou também súplicas... deu para partilhar abundantemente a imensa riqueza deste primeiro dia de retiro... Misericordias Domini in aeternum cantabo!

«A palavra de Deus é a primeira fonte de toda a espiritualidade cristã. Ela alimenta uma relação pessoal com o Deus vivo e com a sua vontade salvífica e santificadora. Por este motivo, a lectio divina tem sido tida na mais alta estima desde o nascimento dos Institutos de vida consagrada, e de maneira particular no monacato. Graças a ela, a Palavra de Deus chega à vida, sobre a qual projecta a luz da sabedoria que é dom do Espírito». João Paulo II, Documento “Vita Consacrata”, nº 94

Retiro Espiritual, (09.02.2009)

Às sete da manhã, a camioneta Toyota saiu de San Antonio. O Pe. Suawek comentou: “Não há nuvens, não está muito frio nem parece que vai haver aquele calor abafado, tudo indica que vamos ter um dia maravilhoso até San Luís...”
Respondi-lhe que sim, que assim se mostrava o dia...
Chegámos a Cd. Valles às oito e um quarto e dirigimo-nos à casa da Sra. Lizzy para lhe entregar uma caixa com tamales (um petisco tradicional do México, espécie de rissol, envolvido em folha de bananeiro ou folha de milho) de queijo que tínhamos feito no dia anterior (estes são os meus preferidos!!! Deliciosos!!!). Tomámos um chá e demos dois dedos de conversa. Cinco para as nove da manhã, novamente na camioneta, dirigimo-nos para a estação de serviço que fica na estrada de saída de Cd. Valles para San Luís. Íamos esperar pelo Pe. Bernardo e pelo Pe. Victor, que vinham de Tampico, e como não sabiam o caminho, pediram-nos que fôssemos como seus 'Ananias'!
Depois de quase uma hora de espera em vão, Pe. Suawek e eu, partimos de Valles para Jesús María, localidade que se encontra a vinte cinco km de distância da cidade de San Luís, capital do estado, para aí na companhia de todos os espiritanos realizarmos o nosso retiro espiritual.
Chegámos à “Casa de Oración Nazareth”, às 2.00 da tarde. Esta pertence às Irmãs Missionárias do Espírito Santo. Foram fundadas por um padre francês que viveu toda a sua vida no México, Pe. Felix Rougier.
Cumprimentámos os primeiros espiritanos que já tinham chegado.
Nos indicaram os nossos quartos e lá fomos nós. Depois foi o almoço. E já de barriga cheia (o suficiente, eh!!!), fizemos a tão famoso “siesta”, desta vez fomos "a la mexicana"!!! Isto é, dormir ao calor do deserto.... uma vez que o lugar “Jesús María” está situado na região desértica de San Luís.
Às 9.00 da noite, depois de uma cena-jantar frugal, tivemos um encontro com o nosso orientador, Pe. Carlos Triana, colombiano, religioso da Congregação de Jesus e Maria, mais conhecida pelos Eudistas. Deu-nos uma meia hora de reflexão sobre a necessidade de realizar individual e comunitariamente a “Lectio Divina”, mais conhecida como a Leitura Orante da Palavra de Deus (para os que gostam, na web de CELAM, há um sítio dedicado a isto: “LECTIONAUTAS”!).
Terminou este encontro de motivação com uma reflexão sobre os sete retiros que Jesus fez (para os que tenham interesse em saber mais sobre estes retiros, podem-me pedir que eu envio...). Animados e motivados, fomos descansar, para iniciar este retiro com Jesus, por Jesus e em Jesus!

«A palavra de Cristo habite em vós com toda a sua riqueza: ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria; cantai a Deus, nos vossos corações, o vosso reconhecimento, com salmos, hinos e cânticos inspirados. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai». Cl 3,16-17

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

México... visto com outros olhos...

Num país com mais de 100 milhões de habitantes espalhados por uma larga superfície de 1.958.201 km2, só podemos esperar grandes distâncias, enormes aglomerados populacionais e grande diversidade de culturas e povos. De facto é esta a primeira impressão quando o avião se aproxima do aeroporto na cidade do México. Sobrevoando esta grande capital vislumbramos a sua imensidão e, dado que não saímos do imenso aeroporto, imaginamos a sua complexidade, associada a todos os problemas próprios às grandes metrópoles. Na cidade do México vivem hoje mais de 22 milhões de pessoas. Duas vezes a população de Portugal. Mas o nosso destino era outro. Também não era o que tantos turistas elegem como local de férias e descanso nas praias da costa do Pacíficio, em Cancun ou Acapulco. O nosso destino era bem mais pobre e simples, quase escondido, nas montanhas huastecas, do Estado de San Luís de Potosi, na diocese de Ciudad Valles, na paróquia de San António. É ai que se encontra o P. Tiago Barbosa, missionário Espiritano português.
Quando há 35 anos os Espiritanos chegaram ao México foi claramente uma opção pelos mais pobres que os levou a fixarem-se na diocese de Ciudad Valles. O bispo de então, perante a passagem/visita de dois espiritanos americanos, lançou-lhes o desafio do trabalho nas paróquias do interior, junto dos povos índios, para os quais não tinha obreiros. E é assim que nasce a presença espiritana junto dos povos indígenas do México, na região Huasteca Potosina. No conjunto populacional do México os povos indígenas não são mais do 10 milhões, mas distribuídos por diferentes grupos e culturas, que tem expressão em mais de 60 línguas diferentes. Se por um lado tal diversidade cultural é enriquecedora e disso há vestígios arquitectónicos relevantes tais como as famosas pirâmides e cidades aztecas, por outro lado torna-se mais difícil para esses povos defenderem-se e lutarem pela sua identidade cultural. Daí que, os missionários espiritanos, escutando o apelo de Francisco Libermann, se tenham tornado junto deste povo os “advogados, o sustentáculo e os defensores dos fracos e dos pequenos, contra todos aqueles que os oprimem”. Desde Tampico a San Antonio, passando por Pujal, Tanlajas, Coxcatlan e outras localidades, os Espiritanos foram sabendo colocar-se ao lado dos pobres, incentivando organismos, levantando estruturas, dinamizando comunidades que os ajudem a erguer-se na defesa dos seus direitos e dignidade. É certo que cada comunidade índia tem a sua organização própria, com o chamado Juiz de Paz, escolhido cada ano, pelo Conselho de 12 integrantes, membros mais velhos da comunidade. Tal instância de autoridade é até reconhecida diante do Juiz federal e instaurada com uma bênção no decorrer de uma celebração eucarística no primeiro dia do ano, mas pouco mais pode fazer do que intervir no seio da sua comunidade. É diminuta a sua capacidade reivindicativa ou de defesa dos seus interesses junto de instâncias superiores, governamentais ou outras. Daí que os Missionários se unam a eles para amplificar a sua voz e, construindo comunidades cristãs, os ajudem a viver o dia-a-dia com esperança e dignidade.
A vida das 14 comunidades da paróquia de San António anda à volta da agricultura. A cultura da cana de açúcar, do milho e do feijão é a base de sustento para a grande maioria do povo índio Tenek que aqui habita e as grandes pradarias de gado bovino da área são de ricos proprietários vivendo nas cidades. A população da paróquia anda pelos 10 mil habitantes, sendo cerca de metade com menos de 25 anos. Daí que embora a educação esteja espalhada e presente em todas as comunidades, pela escola primária ou secundária, há na região uma falta de escolas intermédias e superiores onde os jovens possam continuar a sua formação profissional ou universitária. Pela sua humildade e sentido da comunidade, torna-se difícil aos jovens Tenek singrar no meio competitivo e individualista da sociedade urbana e global onde as universidades e outras oportunidades de emprego aparecem. A emigração, tanto para os Estados Unidos como para o Canadá, é uma das poucas saídas possíveis para a população daquela zona.
É neste ambiente humano, onde apesar de tudo as condições essenciais de vida e de saúde não faltam, que está presente a Igreja e a fé cristã. Uma grande maioria são baptizados, até porque a paróquia foi fundada em 1776, e o povo huasteca tem uma sensibilidade religiosa própria, de origem pré-cristã, que empresta um carácter singular à sua vivência da fé cristã, tanto na sua manifestação artística e simbólica como na sua organização e dinamismo. Tal tivemos a alegria de poder experimentar ao participarmos em vários momentos celebrativos que decorreram durante a nossa visita. Logo no dia da nossa chegada, diz-nos o P. Tiago, que tem de ir a uma das comunidades, chamada Tocoy, para uma reunião acerca de dois grupos de tipo carismático que nem sempre se entendem no desempenho das suas funções e serviços de animação litúrgica no seio da comunidade. Ambos nasceram do fervor e dinamismo da própria comunidade, em resposta a apelos de nova evangelização, mas que viriam a chocar entre si por questões de algum protagonismo ou liderança. Era grande o número dos que esperavam, quando chegamos. Sabendo o P. Tiago que esta cultura e comunidades vivem na base de acordos, foi conduzindo o encontro em ordem a fomentar a comunhão, na base do diálogo, da concertação e da partilha. Logo de início deixou que cada grupo iniciasse uma oração, que fizeram com recurso a uma leitura bíblica e a um cântico. Depois foi ocasião de o pároco, P: Tiago, fazer uma longa prelecção, com exemplos muito práticos, tirados alguns da vida campesina, sobre o interesse da união e a necessidade da partilha para tornar a comunidade mais forte e mais testemunhante. O P. Joaquim Dionísio, pároco da minha aldeia, confidenciou-me ao ouvido, quando o P. Tiago fazia esta dinâmica: “Estou a rever S. Paulo fomentando a unidade nas suas comunidades”! Depois do P. Tiago falar outros foram chamados a intervir, sobretudo os responsáveis e lideres. Um ou outro em língua Tenek, para certamente melhor se fazer compreender. No final, tendo acordado trabalhar em conjunto efectivamente durante as celebrações festivas que se aproximavam, procedeu-se a um momento de reconciliação e de paz que, mesmo na sua simplicidade e aparente “frieza”, nos pareceu sincero e real. Cinco dias depois pudemos experimentar uma celebração festiva nessa comunidade onde todos se empenharam e se uniram as mãos para melhor louvar a Deus, servir a comunidade e honrar nossa Senhora de Guadalupe. Nesta comunidade da paróquia, como em qualquer uma das outras 14, há sempre um coordenador, catequistas, ministros da comunhão e ministros do canto, que juntamente com o pároco constituem o conselho da comunidade. Também a nível paroquial há um conselho que se reúne regularmente, durante uma manhã inteira, e onde há representantes de todas as comunidades e de todos os organismos paroquiais. Como se procura animar tais encontros na dinâmica dos acordos que lhes é muito característica culturalmente, é preciso dedicar-lhes muito tempo. Assim nos confidenciaram o P. Tiago e o P. Swavek, espiritano polaco, que partilham a dinamização cristã destas comunidades.
A 12 de Dezembro de cada ano há festa no México. Em todo o país se celebra a “Guadalupana” ou Nossa Senhora de Guadalupe. Mesmo sem termos ido visitar o dito santuário, tal como muitos dos próprios mexicanos, dêmo-nos conta de quão importante é para a sua vivência cristã o culto a Nossa Senhora de Guadalupe. Na paróquia de San António decorria uma peregrinação da imagem de Nossa Senhora, de comunidade em comunidade. Todos se congregavam, pequenos, jovens e adultos, e sem grandes alaridos, mas com paciência, serenidade e veneração iam-se manifestando diante da Mãe de Guadalupe. Primeiro impondo-lhe um colar de flores. Depois incensando bem a imagem. Para depois se prostrar diante dela, acendendo velas e rezando. Não só individualmente como também em família. Particularmente tocante é o interesse dos próprios jovens que na tarde do dia 11, se reúnem na catedral, junto com o seu bispo, e recebem da sua mão uma luz, género chama olímpica, a que chamam “antorcha”, acesa no círio pascal, e percorrem em jeito de estafeta os 53 kms que os separa da sua paróquia, para aí chegarem no inicio da vigília pela meia noite. Quando o missionário recebe comida do povo, é convidado para ir a suas casas é sinal de que já faz parte das suas famílias. Já foi bem acolhido e a sua presença é sinal de Esperança e de Paz. Quando o missionário conhece bem o povo, até pelo próprio nome, e sabe da sua vida, costumes e cultura, então pode entregar-se ainda mais à Missão de Evangelizar porque o terreno está preparado. Alegro-me por ter encontrado destes missionários e terem partilhado connosco um pouco desta riqueza, desta vida e até daquelas comidas picantes que “picam e repicam”. Para eles, bem mais merecido do que a nós a quem tantas vezes brindaram, vai o nosso “fortíssimo aplauso”.

«Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja. Foi dela que eu me tornei servidor, segundo a missão que Deus me confiou para vosso benefício: levar à plena realização a Palavra de Deus, o mistério escondido ao longo das gerações e que agora Deus manifestou aos seus santos. Deus quis dar-lhes a conhecer a imensa riqueza da glória deste mistério entre os gentios: Cristo entre vós, a esperança da glória! É a Ele que anunciamos, admoestando e ensinando todos e cada homem com toda a sabedoria, para apresentar a Deus todos os homens na sua perfeição em Cristo. É para isso mesmo que eu trabalho, lutando com a força que Ele me dá e que actua poderosamente em mim». Cl 1,24-29