quinta-feira, 24 de abril de 2008

Vigilia de Páscua - baptismo de 6 jovens... Noite de Vida Nova...

Foram seis jovens que iniciaram em Janeiro o curso preparatório para a Iniciação Cristã, tinham idades compreendidas entre os 17 e os 22 anos e dois deles já estavam casados pelo civil. Isto é, já viviam como casal, há mais de cinco anos juntos e queriam formalizar o seu compromisso matrimonial. Uma da esposas não era baptizada, não podendo o casal receber o sacramento do matrimónio. Então como é lógico, tinha que ser iniciados à vida cristã. Através do Sr. Alberto, catequista de El Progreso, Glafira veio explicar o seu caso e pedir informações para poder ser baptizada.
A ela, juntaram-se mais cinco jovens. Todos eles provinham de famílias ditas cristãs... porque nenhuma delas se preocupou em dar a devida educação cristã aos seus filhos... "É que quero, Padre, que seja o meu filho a escolher a religião que vai seguir!..." A realidade diz-nos que nem escolhem nem seguem... infelizmente, o problema começa com a pouca participação da vida de Igreja dos pais, e como, de pequenino é que se torce o pepino, depois já não torce, parte!... Enfim, isto é o que acontece para estes lados, infelizmente... e resultado da cultura mexicana e da educação familiar...
Na Vigília da Páscoa, estes seis jovens foram baptizados, numa celebração muito emotiva para os seus familiares e padrinhos. Foi uma celebração pouco demorada, três horas e media, mas que continha uma imensa vida festiva.
As pessoas de San Antonio já estão habituadas a estas celebrações, devido ao programa catequético desenvolvido a partir do Pe. Paco (sacerdote espiritano francês). Há sempre pessoas que vêm de fora só para ver este jovens ou adultos a serem baptizados, porque nunca tinham visto tal coisa... No fim desta celebração, ouvi o comentário de uma senhora que pertence à parroquia vizinha a dizer à sua comadre, que a acompanhava, que realmente era verdade isto de baptizar pessoas já crescidas. Tinham-lhe comentado e não acreditava... Era uma "Tomasa"!!!

«Pelo Baptismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova. De facto, se estamos integrados nele por uma morte idêntica à sua, também o estaremos pela sua ressurreição». Rom. 6,4-5

Sexta-feira: Via sacra e a Procissão do Silêncio...

Na tarde da sexta-feira santa, o ponto de encontro foi a capela do Rancho Ladrillera... o calor estava no seu auge, eram mais ou menos as três horas quando demos início à celebração do Via Sacra e também à da Adoração da Cruz... Uma vez que a Via Sacra era a liturgia da palavra da adoração da cruz, primeiro escutámos as leituras próprias deste dia, e em vez do evangelho, iniciámos a via sacra, partindo rumo à Igreja Paroquial.
Éramos um povo que caminha, que vive a sua fé... Havia gente de todas as comunidades que compõem San Antonio, todos os catequistas, os diversos grupos juvenis, novos e velhos, de todas as condições sociais, unidos pela fé e o amor ao Cristo sofredor!
O grupo de Jovens preparou a Via Sacra, ajudados pelo Comité da Antorcha Guadalupana que os auxiliou com os meios técnicos: o carro de som, a protecção policial, entre outros... Foram três horas de caminho, de oração, de dor e alegria, de comunhão eclesial... Durante três meses, os 30 jovens, orientados pelo Bernabé Cabrera, ensaiaram a Via Sacra e confeccionaram as roupas e adereços próprios para esta representação religiosa.
Chegados à Igreja Paroquial, tivemos a encenação da crucificação de Cristo, a oração das suas ultimas sete palavras (mexicanos gostam de uma celebração bem emotiva, com gestos dramáticos, como bons latinos que são, o coração comanda-lhes a vida...) e a Adoração da Cruz... Após este momento, houve a comunhão eucarística.
Terminando em silêncio, a Adoração da Cruz, Liturgia de Sexta-feira Santa, os paroquianos de San Antonio fizeram, como é habitual, a sua adoração pessoal ao Senhor Jesus... isto é, cada um na sua vez, foram adorar a Cristo no seu ataúde, deixando-lhe flores e uma vela acesa em sinal de fé e amor.
Ao cair da noite, realizou-se a tradicional Procissão do Silêncio: pela porta principal da Igreja, saíram à frente os homens, transportando o ataúde de Jesus, do Cristo sofredor, bem ao estilo desta cultura mexicana.
Atrás deste cortejo masculino, saíram as mulheres por uma porta lateral da Igreja, fazendo um percurso alternativo ao dos homens pelas ruas de San Antonio. Elas transportaram a imagem da Virgem Dolorosa.
Esta procissão realiza-se no mais completo silêncio: não há introdução, não há cantos, não há palavras... onde fala o coração, sobram as palavras...
Na praça central, encontraram-se os dois cortejos, e iniciaram a subida de regresso à Igreja Paroquial. Sem dúvida, iam os homens à frente e as mulheres atrás... não podia ser de outra maneira... senão não estaríamos no México!!! No entanto, esta reflecte a profunda devoção mexicana popular a Cristo sofredor, ao Ecce Homo do sofrimento, que assumiu as nossas culpas... Oh feliz culpa, como bem disse Santo Agostinho.

«Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. Ele salvou-nos e chamou-nos, por santo chamamento, não em atenção às nossas obras, mas segundo o seu próprio desígnio e a graça a nós concedida em Cristo Jesus, antes dos séculos eternos, e agora revelada na manifestação do nosso Salvador, Cristo Jesus, que destruiu a morte e irradiou vida e imortalidade, por meio do Evangelho, do qual eu próprio fui constituído arauto, apóstolo e mestre». 2Tim. 1, 8-11

Quinta-feira Santa...

Nesta quinta-feira, na comunidade Lejem, que se situa a uns 5 km de San Antonio, o P. Suavek presidiu à Santa Missa da Instituição da Eucaristia.
Como é tradição tenek, em vez do ritaul do lava-pés, fez-se lava-mãos dos doze apóstolos. Nesta cultura, o gesto de lavar as mãos é muito importante. Realiza-se em sinal de respeito, de aproximação e de manifestação da vontade em servir a comunidade e de trabalhar pelo bem comum. Este rito tenek é realizado da seguinte maneira: a autoridade da comunidade toma as mãos da pessoa escolhida (neste caso, o padre toma as mãos dos apóstolos designados), lava as mãos e a boca de cada um de eles. Depois disto, coloca-se a cada um deles uma coroa feita com "limonaria" (espécie de cedro) em sinal de aceitação e compromisso com a comunidade.
Assim se vive a fé por estes lados...

«Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes:
"Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me 'o Mestre' e 'o Senhor', e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. Em verdade, em verdade vos digo, não é o servo mais do que o seu Senhor, nem o enviado mais do que aquele que o envia. Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática"». Jo. 13,12-17

sábado, 29 de março de 2008

Domingo de Ramos

No passado domingo de Ramos, a paroquia de San Antonio de Padua vestiu-se de gala... Como é tradição, toda a gente se reuniu no cruzeiro de Cuechod e ao meio-dia, debaixo de um sol abrasador, em procissão, dirigiu-se para a Igreja paroquial. Cada família traz consigo uma cruz feito com palma e adornada de bugambílias como manda a tradição e o costume religioso... esta cruz, depois da missa deste dia festivo, é colocada na porta de cada casa, como sinal de participação na morte e ressurreição de Cristo e também como sinal de identificação da catolicidade da família.«A linguagem da cruz é certamente loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes.» 1Cor. 1,18-19

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia de Libermann, 02 de Fevereiro

No passado dia 1 de Fevereiro, na paroquia de El Pujal, realizou-se o momento evocativo do aniversário da morte do nosso fundador Pe. Francisco Libermann. Ás sete da tarde, vindos das quarto paroquias que estão ao cuidado pastoral, a comunidade espiritana da huasteca celebrou a morte do nosso fundador. Houve a participação dos paroquianos de El Pujal. No fim deste momento evocativo, houve um convívio fraternal...

«Só isto é necessário: comportai-vos em comunidade de um modo digno do Evangelho de Cristo, para que [...] ouça dizer isto de vós: que permaneceis firmes num só espírito, lutando juntos, numa só alma, pela fé no Evangelho» Fl. 1,27

Programa de rádio “Todos juntos”

Todas as quarta-feiras à tarde, Pe. Victor, as Sras. Rigel e Lizzy e eu, dirigimo-nos para a estação de Radio XCEV – Valles, para gravar o programa semanal da Diocese de Cd. Valles. O programa chama-se “Todos Juntos”, e é emitido por esta radio cada sábado, à hora do almoço. Já dizemos entre nós: cá vamos para mais um show a 4 às 4... Este programa surgiu como resposta ao Plano Diocesano de Pastoral que pedia uma maior comunhão entre as diversas comissões pastorais. Há cinco que nasceu este plano. Em Junho de 2006, na reunião de programação pastoral, criou-se a Comissão Diocesana de Pastoral de Comunicação, foi nesta reunião que fiquei designado a esta comissão.
Numa primeira etapa, criamos o jornal bimestral, “O mensageiro”, que tem uma tiragem de 5000 exemplares. São 4 folhas tamanho A3, onde se cria uma rede de comunicação: notícias de paroquias, de movimentos, de pequenos grupos diocesanos... enfim, foi o primeiro meio de comunicação que surgiu... hoje ainda continua... esperamos que mais anos seguirá sendo o elo de ligação entre paroquias e comunidades...

Regressando ao nosso programa radiofónico, este surgiu em Janeiro de 2007, com o total apoio da Sra. Galdis, directora da Radio XCEV. Já cumprimos um ano de vida e de emissão... Mas ainda vamos na fase experimental pois os conhecimentos técnicos são baixos... Todas as segunda-feiras, elaboramos o rascunho do programa, depois passamos à etapa de verificar a sua actualidade e elaboramos o guião, uma vez que será gravado e posteriormente editado.

Então, às quarta-feiras pelas 4.30 horas, gravámos um programa de 30 minutos, finalizando com um breve momento informativo acerca da vida da Diocese: reuniões, encontros, avisos ou outros...
E assim, vamos unindo pessoas e comunidades...

"
O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida, o que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa." 1Jo. 1,1.3-4

Soprar as velas...

Aqui, no México há um costume bem engraçado...
Sempre que se festeja o aniversário de alguém, há sempre a mordida do bolo por parte do aniversariante...
Claro que no momento que se dá a mordida ao bolo há sempre uma mão amiga que, sorrateiramente, empurra...
Este é o método mexicano de provar os bolos... ainda se ganha uma pintura grátis no nariz, assim cheira-se empiricamente o dito bolo...
Quando celebrei o meu aniversário, também tive que, empiricamente, cheirar e provar o bolo... estava delicioso e depressa desapareceu... não pelo nariz...

Fiesta a la mexicana...

No dia 30 de Janeiro, à noite, depois de termos gravado o programa de Radio, como já é de praxe, Pe. Victor (mexicano), Pe. Suavek e eu, fomos para a Igreja catedral de Cd. Valles para concelebrar na missa das oito da noite. Após esta Santa Missa, dirigimo-nos à casa da Sra. Lizzy (familia amiga e colaboradora na Comissão de pastoral da comunicação) para celebrar entre família o dom da vida que Deus me concedeu neste dia.

«Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos! É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes. É como o orvalho do monte Hermon, que escorre sobre as montanhas de Sião. É ali que o Senhor dá a sua bênção, a vida para sempre». Sl. 133

As "mañanitas" ao Padrecito

Eram mais ou menos as 8.30 horas da noite do dia 29 de Janeiro, quando o Suavek e eu chegámos do nosso passeio higiénico. Em tom de brincadeira, enquanto eu preparava um chá, ele perguntou-me à queima roupa: “A que horas vais dormir? É que estou a ver-te muito cansado..."
Tomámos o nosso chá e o Suavek disse-me: "Olha lá, tenho de ir a Tanlajás... Regresso em dez minutos."
Enquanto ele se foi, vi um pouco das noticias de Portugal, através da RTP-Internacional, e como me sentia cansado, fui dormir...
Pouco antes da meia noite, ouvi uns passos, um afinar de viola, e qual não é a minha surpresa: O Suavek chegou com duas dezenas de pessoas amigas para me visitar e cantar os parabéns a você...
Claro que houve festa, não rija, por que o dia seguinte era dia de trabalho, mas houve festa e alegria...
Assim se celebra o aniversario cá por estas bandas...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dia 4: 25 de Janeiro de 2008

Às seis da manhã, ouvi uns latidos junto da minha janela. Não podia acreditar no que ouvia e via: o tal famoso “Tanque” estava a lamber a minha janela... Não sei com que intenções dava umas lambidelas... penso que foi a maneira canina de dizer-me “Bom dia, Senhor Padre! Aqui estou eu o Tanque a vigiar...”
Bom, depois desta interrupção, agarrei novamente o travesseiro
e aproveitei a ultima meia hora que me restava... dormi como um justo... e novamente às sete e meia, saía, de campainha na mão, a despertar os missionários para mais um dia de retiro...
Às oito da manhã, rezámos a oração de laudes, e neste dia celebrámos o grande apostolo São Paulo... estamos no seu ano jubilar!

Penso que foi uma óptima maneira de começar o dia, olhando para o exemplo de fé deste grande homem do Evangelho e também, por que não, uma forma ideal de terminar um retiro para missionários... com chave de ouro?...
Às dez da manhã, como foi habitual durante esta semana, tivemos o nosso encontro de reflexão. Depois de um momento de reflexão pessoal, tivemos a oportunidade de celebrar juntos a missa de encerramento deste retiro anual. Esta contou com a renovação dos votos de Jesus Gabriel, que está no terceiro ano de Teologia, e de Baltazar, que se encontra no último ano de Teologia.
No fim desta celebração, houve o almoço fraterno de despedida do retiro. Poucos minutos antes do início deste, o jovem Lupio, que se encontra em experiência missionária em Tefé, Amazónia-Brasil, conseguiu chegar depois de uma manhã de seca na embaixada do Brasil por causa dos papeis para novamente ingressar neste país... é caso para dizer: “eh pá! Só papel, cara!!! Deixa de ser moleque!!!”
Por volta das 15:30, no carro do amigo Pe. Miguel, pároco em Monte Carmelo, paroquia do Distrito Federal que recebeu de braços abertos os espiritanos no ano 2003, quando abrimos a nossa primeira casa na capital mexicana. E assim, deixámos para trás a casa das irmãs religiosa da Santa Cruz que foi o nosso ninho por uma semana e rumámos ao aeroporto de Toluca para daí voar à cidade de Tampico. Seriam uns 45 minutos de viagem para depois realizar mais uma jornada nocturna para San Antonio....
Por volta das 23:00 deste mesmo dia, eu e Suawek, entrámos na nossa humilde casa de San Antonio cansados e um pouco esgotados pelas horas da viagem, mas cheios de fé e entusiasmo missionários.

“Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no. Jesus e a multidão Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades”. Mt, 4,12-23